Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 19/08/2021

Na poesia romântica é recorrente à idealização dos corpos e comportamentos femininos. Dessa forma, tem-se a limitação do papel social da mulher sob um viés estético e patriarcal. Nesse viés, é notória a imposição da maternidade como pressuposto de realização pessoal, que culmina no cerceamento da liberdade de escolha e no julgamento social.

Assim, com a inserção feminina no mercado de trabalho, a busca por ascese profissional promoveu a queda da taxa de fecundidade e a intensificação do planejamento familiar. Tal conjuntura foi possibilitada devido ao desenvolvimento de métodos contraceptivos e à conquista dos direitos femininos- visto que, anteriomente, o poder decisório feminino era responsabilidade do pai ou do marido-, que corroboraram a relativa emancipação feminina. Entretanto, tem-se a delimitação do papel social da mulher no âmbito familiar, já que a maternidade é concebida como uma fase da vida feminina, em vez de uma escolha dessa, o qual contribui na postergação de estereótipos e romantização, sob o pressuposto de realização pessoal e felicidade.

Outrossim, é evidente o aspecto patriarcal da sociedade, em que “o homem pode não está preparado para ser pai, mas a mulher sempre deve estar preparada para ser mãe”. Nesse viés, tem-se a normalização do abandono paternal e a romantização da maternidade compulsória, na qual, muitas vezes, as mulheres tem de sacrificar conquistas, sonhos e perspectivas em prol dessa realidade. Ademais, há a “demonização” dessas que optam por não ter filhos, que as subordinam aos julgamentos sociais, em que esses enfatizam a idéia de arrependimento e solidão no futuro.

Logo, é notória a noção social de maternidade obrigatória. Nesse viés, faz-se necessária a atuação do Ministério da Educação no combate aos estereótipos e ao cerceamento da liberdade feminina. Tais ações podem ser efetivadas por meio de palestras e campanhas que visem à desconstrução dos estigmas associados ao papel social da mulher e o estabelecimento do entendimento da maternidade como escolha. Dessa forma, pode ser possível uma maior seguridade feminina no âmbito social e familiar.