Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 24/08/2021

“Compulsório” vem literalmente de “compulsão”, ou seja, da perda da autonomia na decisão. Então, quanto da vontade de ter filhos é realmente vontade da mulher e o quanto foi  ressão social, adequação? Ser mãe é sutilmente colocado como o único destino digno e possível para a vida feminina ser considerada “completa”, seja essa escolha consciente ou não. Nesse viés, verifica-se a configuração de um grave problema, que tem como causas a má influência midiática e a falta de empatia do público.

Em primeiro lugar, a ideia normalizada de que as mulheres serão completas apenas se parirem, que a maternidade é sagrada e que ela nasce pronta para o cuidar, exerce uma pressão invisível, mas muito forte desde sua infância – a mídia possui um papel crucial ao romantizar a concepção, nos filmes e novelas, além de impulsionar a reprodução como um padrão necessário para a felicidade familiar perfeita. Porém, o problema é que as mulheres que se tornam mães, dentro de um contexto onde não se questiona essa compulsoriedade e a carga que ela carrega, têm sua liberdade completamente tolhida. Infelizmente, o mesmo não vale para os homens, para os quais a paternidade é, quase sempre, facultativa. Assim, é inadmissível que esse quadro continue a perdurar.

Além disso, a filósofa francesa, Elisabeth Badinter, também defende que não há vocação. Em seu livro “Um amor conquistado – O mito do amor materno”, a autora defende que o “amor materno” fora criado para assegurar a sobrevivência dos descendentes - não se trataria de um “instinto”, Apesar disso, as mulheres são discriminadas pela sociedade quando escolhem não ter filhos, sendo, por vezes, taxadas de egoístas tanto por amigos, quanto pela própria família. Em consequência disso, muitas mulheres acabam se sentindo pressionadas a ser mãe, fator esse que afeta negativamente a saúde mental delas e potencializa o desafio em questão. Dessa forma, nota-se que esse desrespeito precisa ser desmotivado.

Diante do exposto, maternidade precisa ser retirada desse lugar instrumentalizado. Para isso, o Ministério da Educação deve criar uma campanha que vise mitigar a pressão social na mulher pela maternidade. Tal ação precisa ser realizada por meio de palestras e debates, em escolas e praças públicas, com profissionais da saúde e professores especializados no assunto, a fim de gerar o senso crítico na população, desmistificar a felicidade plena baseada na gestação e promover o respeito às decisões pessoais de cada um. Bem como, as emissoras de televisão e rádio podem, também, divulgar tal campanha em horário de maior audiência – geralmente o horário de maior abrangência e impacto.