Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 28/08/2021

Na década de setenta o movimento feminista após muito lutar pelos direitos das mulheres, proporcionaram uma diferença significativa na vida social feminina, que passaram a ter mais liberdade e mais espaço para decidirem seu destino na sociedade, com a chegada dos contraceptivos a ideia de ser mãe foi sendo questionada, pois, deu a mulher o direito então de abdicar de ter uma vida maternal, criar um futuro amplo no mercado de trabalho e nos estudos sem que outras responsabilidades maternais interferissem no processo. Todavia, a pressão social que envolve as pessoas do sexo feminino para a reprodução é pertinente, e faz com que muitas tenham filhos compulsoriamente. Visando uma sociedade mais igualitária devemos analisar os processos que influenciaram o desencadeamento do ideal machista e patriarcal que impõe a maternidade as mulheres e as consequências geradas pelos mesmos. Desde a Idade Média, a Igreja Católica com todo seu poder politico, social e aquisitivo, incidia na sociedade bem como nas mulheres, quais eram seus deveres e obrigações. Um dos muitos dogmas que eram considerados essenciais para a sociedade é a maternidade como função social da mulher, a mulher então passa a ter um papel de reprodutora e cuidadora enquanto o homem, o provedor e disciplinador. O dito popular “Ser mãe é padecer no paraíso” exemplifica bem a ideia que a igreja queria passar, a maternidade é um sacrifício, um padecimento sagrado ao qual as mulheres devem se submeter para alcançarem o paraíso, e ao ir contra esta lógica, a mulher é condenada a cometer uma agressão a sua própria natureza e malvista religiosamente. Com isto nos dias de hoje ainda é muito comum que a mulher receba uma cobrança por parte da sociedade para que a mesma se torne mãe. Em virtude dos dogmas religiosos citados, os pais que exercem o papel de educadores, tem em seus ideais aquilo que a religião pregou por séculos, enraizado em suas mentes, então, dentro deste contexto social há um problema de distinção de gênero que ocorre no próprio eixo familiar. Meninos ganham carrinhos, brincam de polícia e ladrão, super-heróis e são ensinados a terem um papel de trabalhador. Já as meninas, ganham bonecas para fingirem ser seus filhos e princesas que demonstram sempre os “bons hábitos e costumes”. A filósofa e historiadora francesa Elisabeth Badinter, autora do livro “O mito da maternidade” diz que “As opiniões adquiridas na infância são as que marcam mais profundamente o homem. É preciso nada menos do que toda uma vida para eliminar esses maus hábitos. Mesmo assim, poucos o conseguem…". Sendo assim, a pressão social em cima da mulher é escancarada quando essas crianças se tornam adultos, ademais, nos dados obtidos do artigo da petit papillon podemos comprovar o que diz Badinter, hoje 56% das mulheres encontram dificuldade de obterem o sucesso profissional com filhos e 25% tem medo de perderem seu emprego ao engravidar. Dado ao exposto percebemos que este problema não pode mais pendurar no Brasil, portanto com o proposito de obtermos uma sociedade mais igualitária onde mulheres terão mais autonomia para decidirem sobre o seu futuro profissional e maternal, o Governo Brasileiro deverá por intermédio do Ministério da Educação, promover nas escolas de âmbito publico e privado, campanhas de mini teatros que visem o entendimento educacional sobre igualdade de gênero para meninos e meninas, de forma didática para que tanto as crianças quanto os pais ao verem a apresentação, compreendam a importância de ensinar aos filhos o respeito das decisões femininas com o seu próprio corpo, e criarem suas filhas para não ter medo de seguir o destino que a própria quiser de ter. Posto isto será superado o problema da Maternidade Compulsória e estaremos mais próximos de alcançar uma sociedade mais airosa.