Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 30/08/2021
Desde a Antiguidade, a sociedade patriarcal impõe que o papel da mulher seja casar, cuidar dos filhos e do marido, e isso não deveria ser contestado. No entanto, a maternidade compulsória no Brasil se tornou cada vez mais problemática, e muitas mulheres atualmente repensam ou negam a maternidade. Nesse aspecto, é possível relacionar o impasse não apenas à pressão exercida sob a mulher a ser mãe, mas também a falta de igualdade social e base sólida para criação plena das crianças nascidas no país.
Primordialmente, cabe ressaltar que a sociedade machista atual impacta de forma considerável as escolhas femininas. Dessa forma, é nítido que a menina desde a infância é ensinada por meio de brinquedos a lavar, cozinhar, e principalmente a ser mãe. Nesse contexto, é possível enxergar isso desde a resistência médica à processos cirúrgicos que impeçam a gravidez, até o pedido de consentimento do cônjuge para quaisquer decisões à respeito da maternidade. Desse modo, o filme ‘‘Tullulah’’, exibido pela Netflix, retrata a trajetória da protagonista Lu que teve o fim do seu relacionamento declarado após a confissão de que não queria ser mãe, não apenas na época, mas nunca. Assim, é notável o impacto que o ‘’não’’ de uma mulher à maternidade tem, quando na verdade isso deveria ser visto como uma escolha simples, cabível a todos, sem contestamentos.
Além disso, a sociedade pressiona a mulher a ter filhos, mas não possui assistência à infância das crianças. Nesse sentido, a desigualdade social alarmante no país não parece ser preocupante ao Governo, que mesmo sem sistema de saúde e educação de qualidade ainda pressiona as mulheres e dificultam processos que diminuiriam esse problema no Brasil, como o aborto legal e seguro para as gestantes no período correto, com assistência médica. Assim, milhares de mulheres acabam gerando filhos sem condições financeiras, sem auxílio governamental e em situações precárias. Logo, essa criança vulnerável pode muitas vezes não ter o futuro esperado pela sociedade e encontrar a subsistência por meios ilegais. Consequentemente, é nesse momento que o mesmo Governo que impôs à mulher a gestação, também irá facilitar a prisão e morte do indivíduo.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para mitigação do impasse. Nesse viés, é necessário que Ministério da Educação divulgue hodiernamente, por meio da mídia, campanhas que normalizem a escolha de não ser mãe, para que a sociedade deixe de tratar essa preferência como algo anormal e a maternidade compulsória do país seja de fato acabada. Ademais, por meio dessa intervenção as mulheres se conscientizarão e deixarão de se submeterem a uma gestação indesejada sem qualquer auxílio ou condições para isso, simplesmente por pura pressão. Só assim, as escolhas femininas deixarão de ser constestadas e a maternidade não será mais empurrada a quem não à deseja.