Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 08/09/2021

Atualmente, é possível perceber a diminuição da taxa de fecundidade em muitos países, isso se deve pelo crescente número de pessoas mais instruídas, maior participação das mulheres no mercado de trabalho e pela mudança da constituição do que é titulado como família tradicional. Porém, esse cenário não é a realidade de todas as culturas e épocas, em locais onde a maternidade é vista como a obrigação de uma mulher, com a romantização da gravidez sendo imposta ainda quando criança, com brinquedos, por exemplo, mostra como a maternidade se tornou compulsória e, muitas vezes, prejudicial à saúde física e mental da mulher.

Primeiramente, a maternidade de forma compulsória é negativa pois traz as mulheres o sentimento de culpa quando não se sentem preparadas para gerar uma vida, uma vez que a sociedade e a cultura impõem essa obrigatoriedade, desde pequenas as meninas escutam de amigos, família, igreja e até profissionais de saúde que mulheres foram criadas para gerar vidas, e se sentem inferiores quando são inférteis.

Em segundo plano, essa imposição a respeito da maternidade já vem sido discutida a muito tempo, fazendo com que a maioria das mulheres escolham ser mães, segundo uma pesquisa feita pela Unesp com 1537 mulheres, a maior parte das entrevistadas (54,7%) tem vontade de ser mãe, o que não deve ser visto como algo errado, porém em uma sociedade que trata as mulheres sem filhos como insensíveis, frígidas e incompletas, é indispensável a reflexão a respeito desse assunto, a partir do momento que estabelecer a maternidade a todas as mulheres torna-se uma violência simbólica e interfere na liberdade de escolha individual.

Portanto, a maternidade vista de forma obrigatória representa uma ameaça para as mulheres e, consequentemente, para as futuras mães, pois formam cidadãs traumatizadas e alienadas à maternidade compulsória. Nesse sentido, é necessário que os canais de entretenimento, como meios digitais, cinematográficos e de televisão, optem por apresentar a maternidade de forma real, não apenas romantizando essa ação, a fim de conscientizar seus telespectadores. Ademais, é fundamental que o Ministério da Educação inclua esse assunto nas grades curriculares, para que assim as crianças compreendam a importância da liberdade de escolha, e que a maternidade não deve ser vista como obrigação, só assim será possível uma população sem esse estigma social.