Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 12/09/2021

Entre os séculos XVII e XIX, com o desenvolvimento do capitalismo e a ascensão da burguesia, instaura-se a divisão de esferas públicas e privadas, então cabia ao Estado cuidar da produção e a familía as condições de sobrevivência. Deste modo a criança que antes era criada em comunidade passou a ser responsabilidade absoluta dos pais e a partir disto os papeis entre homens e mulheres se tornaram diferentes, o homem era responsável pelo sustento da casa e a mulher os cuidados com os filhos.  A partir deste contexto, a maternidade passou a ser extremamente valorizada e indispensável na vida de uma mulher, papel que foi romantizado ao longo do tempo como uma tarefa instintiva e glamurizada e diante disso as mulheres que são mães se encontram em um estado de sobrecarga e culpa quando não alcançam as espectativas.

Primeiramente a maternidade compulsória também é uma consequência, ela é acometida as mulheres que vivenciam a pressão de seus companheiros, amigos, família e religião sobre um futuro solitário e com arrependimentos quando não querem ter filhos, então essas mulheres acabam engravidando e exercendo a maternidade por puro sentimento de culpa e medo. A médica e escritora, Júlia Rocha defende a abertura de um espaço sem julgamento para mulheres poderem planejar suas vidas, com ou sem filhos, sem julgamentos, dessa forma permitindo que a mulher conheça a sua verdadeira vontade.

Na obra cinematográfica “Perfeita é a mãe” a protagonista se encontra exausta de ter que se dedicar totalmente ao seus filhos e parecer perfeita para as outras pessoas, enquanto queria buscar novas ambições, mas ela se junta com suas amigas que resolvem mudar de rotina drasticamente, deixando de fazer tudo para os filhos, e passou a viver como queria, no andar da trama ela recebe diversas críticas sobre o seu novo jeito de viver, mas não a impediu de consquistar sua felicidade. A partir do filme é possível extrair a crítica feita à sociedade sobre como as mães são vistas e sobre a definição do seus papéis num meio social.

Desse modo, como foi apresentado a condição das mulheres mães quando sofrem julgamentos e tem a maternidade romantizada, é de suma importância que canais de entreterimento, digitais, televisionais ou cinematográficos, escolham por apresentar a maternidade como ela realmente é, demonstrando como as mulheres que são mães vivem em seu cotidiano, assim dessa forma as pessoas ao consumirem o entreterimento vão se familiarizar com a realidade de diversas mães e assim julgar menos quando as atitudes de uma mãe não correspondem as expectativas irreais que nelas foram impostas.