Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 11/09/2021
Na série norte americana ‘‘O Conto da Aia’’, é retratado um mundo onde a maioria das mulheres se tornaram inférteis e as poucas que não foram afetadas são obrigadas a terem filhos. Apesar de ser uma ficção, a obra não se distância muito do contexto brasileiro, no qual a maternidade compulsória é uma realidade. Isso acontece porque a sociedade brasileira cria um precesso de coercitividade que induz as mulheres a terem filhos, propiciando um aumento da disparidade de gênero.
De início, é válido ressaltar que, embora não existam leis que obriguem as mulheres a terem filhos, a sociedade exige que isso aconteça. Segundo Durkheim, o corpo social, por meio dos fatos sociais, forma o caráter e os ideais de um indivíduo. Nesse sentido, os brinquedos, as músicas, os filmes e até mesmo a escola, desde a infância, introduzem a ideia de que o papel da mulher dentro da sociedade é ser mãe. Com isso, fica claro que a maternidade é uma exigência para que uma pessoa do sexo feminino possa ser bem aceita socialmente.
Por consequência, é importante destacar que, com a maternidade compulsória, a desigualdade de gênero fica ainda maior. Sob essa ótica, a maternidade é algo que exige muito tempo e esforço, já que a mulher passa a ser responsável pela segurança de um ser irracional. Nesse contexto, as obrigações da maternidade impedem que muitas mulheres consigam ter o acesso a uma universidade de qualidade e, consequentemente, diminuem as oportunidades dentro do mercado de trabalho. Dessa forma, numa sociedade que já desvaloriza muito o esforço do sexo feminino, a maternidade compulsória contribui ainda mais com a disparidade de oportunidades entre os gêneros.
Em virtude dos fatos mencionados, são necessárias medidas para mitigar essa problemática. Assim, para que a maternidade não só deixe de ser uma obrigação, como também deixe de favorecer a desigualdade de gênero, é fundamental que o Ministério da Educação, por meio de uma alteração do calendário escolar nacional, insira, em todas as escolas do país, uma aula semestral sobre as mulheres na ciência, essa aula será ministrada por professores de sociologia, física, biologia e química para todo o ensino médio e terá como objetivo mostrar que as mulheres podem ser grandiosas e não precisam ter filhos para cumprirem o seu papel. Desse modo, ‘‘O Conto da Aia’’ poderá ser somente uma ficção.