Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 16/10/2021

O livro “Encontrada”, de Carina Rissi, conta a história de uma garota do século 21 que acaba por se casar com um homem do século 19 e tem que lidar com uma sociedade que a impede de trabalhar e a impele a ter filhos. Atualmente, a maioria das mulheres ainda lidam com essa sociedade que usa de pressões para obrigar as mulheres a estilos de vida como o de dona de casa e mãe. Dois exemplos dessas forças externas são a ideia de “papéis de gênero”, e a sociedade patriarcal, que julgam certas atividades como sendo exclusivamente femininos e obrigatórios. Por causa disso, torna-se relevante discutir-se acerca da maternindade compulsória no Brasil.

Em primeira análise, os papéis de gênero são impostos às crianças desde a infância por meio de briquedos, como carrinhos para meninos e bonecas para meninas. Dessa forma, educação de meninas desde a infância para serem mães certamente impacta a sociedade no futuro, fazendo com que as mulheres desde cedo assumam a maternidade como uma obrigação exclusiva delas. Mesmo que o artigo 205 da constituição federal de 88 diga que a educação é dever do Estado e da família, e, portanto, a desconstrução dos papéis de gênero caiba aos mesmos, isso ainda não vem sendo observado atualmente.

Ademais, a sociedade patriarcal ainda vê  o homem como o provedor da família, com a obrigação de trabalhar para sustentar sozinho as obrigações financeiras do lar, enquanto a mulher é vista como uma dona de casa que deve cuidar das crianças. A exemplo disso, no livro “Encontrada”, a protagonista  é sempre julgada pelos familiares e vizinhos de seu marido quando não corresponde às suas expectativas, sendo um dos acontecimentos do livro a mudança do seu comportamento na tentativa de se encaixar naquela sociedade. Isso mostra que o ambiente no qual as mulheres estão inseridas pode moldar o seu comportamento através de pressões, levando a um fenômeno de maternidade compulsória em que as mulheres se sentem na obrigação de terem filhos.

Com isso fica claro que o Governo deve educar as novas gerações sobre a desconstrução de papéis de gênero por meio de palestras dadas a crianças e seus pais. Isso para que com essa educação as crianças creçam sem uma visão errônea sobre o papel da mulher na sociedade e, assim, a maternidade compulsória ocasionada pela pressão do meio social acabe no Brasil.