Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 13/09/2021

É de conhecimento de todos que a maternidade é vista como algo muito importante para a sociedade, sendo tratada por muitos como um determinante de felicidade, como um dos fatores para se ter uma vida completa e, principalmente, uma obrigação de toda mulher. Dessa forma, o fato de muitos considerarem isso uma obrigação impede que a maternidade seja uma escolha para muitas mulheres, tirando de si a liberdade sobre o próprio corpo e sobre sua própria vida, o que é inaceitável e deve ser combatido o mais rápido possível.

A mulher sofre pressão social para ser mãe durante diversos estágios de sua vida. Com o propósito de incentivar as garotas a se acostumarem com a ideia, muitas famílias veem com bons olhos o ato de brincar com bonecas, de assistir contos de fadas nos quais o final feliz da princesa é terminar casada e com um filho, e qualquer outro meio que mostre o quão gratificante, certo e necessário é ser mãe. Bem como as cobranças de familiares e amigos logo após a mulher se casar ou arranjar um namorado, com as clássicas frases “Quando vão vir os filhos?” ou “Não vejo a hora de ter um neto!”. Além disso, já quando estão mais velhas e ainda assim não querem ter um filho, muitas mulheres são taxadas como egoístas, ouvem que serão infelizes e incompletas, como também solitárias.

A maternidade compusória tira a liberdade da mulher para tomar decisões sobre o seu próprio corpo, uma vez que médicos e unidades de saúde criam obstáculos e dificuldades para complicar a decisão de uma mulher de querer realizar uma laqueadura, por exemplo. De acordo com a reportagem feita por Maria Esther Castedo, do site Jornal Dois, há diversos relatos de mulheres da cidade de Bauru, São Paulo, que descrevem a implicância dos médicos em relação às decisões de realizar a cirurgia. Há exemplos de médicos que utilizavam frases desencorajadoras como “E se você se casar de novo, o que vai dizer para seu marido?”, além de muitos faltarem com informações importantes com relação ao procedimento e também complicando as consultas, estimulando a desistência da paciente.

Assim sendo, a maternidade compusória é um absurdo problema do qual a sociedade sofre e que deve ser combatido. Isso pode ser alcançado por meio de campanhas e comerciais feitos pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos que visem conscientizar e alertar a população desse problema que é invisível para muitas pessoas, com o intuito de diminuir essa cobrança exacerbada e prover à mulher a liberdade sobre seu próprio corpo e sua vida.