Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 16/09/2021
No reino animal há uma divisão de tarefas, na qual, em sua maioria, o macho é o provedor de alimento e a fêmea cuida de seus filhotes. Nesse sentido, o ser humano tendeu a seguir os mesmos princípios da animalidade. No entanto, a consciência e a capacidade de escolha é o que diferencia o ser humano dos demais animais e, ao decorrer do tempo, a escolha de não ter filhos foi sendo facilitada com o avanço da tecnologia. Porém, na sociedade brasileira, há preconceitos que permeiam essa escolha, que é advinda da ideia socialmente construída da divisão de tarefas que pressiona muitas mulheres a exercerem tal papel imposto, pondendo gerar frustração e problemas psicológicos. Desse modo, é necessário que essa retórica retrógrada seja desconstruída para que a maternidade seja uma escolha, não uma obrigação.
De início, tem-se ideias inatas ao patriarcalismo como principal modo de vida na sociedade. Nesse sentido, a escritora Simone de Beauvoir, discute essa estrutura social no livro " O segundo Sexo", no qual afirma que a mulher não nasce mulher, mas torna-se uma. E, assim, coloca o conjunto da civilização como limitador da vivência feminina. Desse modo, o papel da mulher na sociedade tem sido limitado por muitas gerações, o que tem sido desconstruído ao poucos por pensadoras feministas como a Simone. No entanto, ainda há uma grande barreira a ser derrubada, visto que tal pensamento limitante está enraizado na estrutura social. Desse modo, é importante que essa questão seja bem mais debatida na sociedade.
Ademais, com a pressão social, muitas mulheres desenvolvem problemas psicológicos. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), mais de 40% dos brasileiros possuem algum grau de ansiedade ou depressão. Sob essa informação, pode-se relacionar tal realidade ao conceito de sociedade do desempenho de Byung Chul Han, a qual é acometida por séries de patologias neurais por causa de cobranças pessoais e sociais. E, dentre elas, estão as determinação sociais que impedem o exercício da vontade pessoal. Assim, para uma humanidade saudável, o ideal é desfazer os padrões a fim de um corpo social sem cobranças e sem doenças.
Diante disso, medidas precisam ser tomadas para que a vivência humana seja mais harmônica, de maneira que, o homem possa utilizar a capacidade racional, sem imposições. Então, as escolas, principal formador social, deve incentivar o pensamento crítico, com a adição de debates e aulas interativas nas aulas de sociologia. Com isso, de modo gradual, a sociedade brasileira estará desmistificando as regras de socialização, até que a maternidade compulsória não será mais uma problemática.