Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 20/09/2021

Theodor Adorno, em sua obra “Dialética do Esclarecimento”, propõe um projeto de libertação do homem da opressão e massificação, por meio de uma ampla formação humanística. Para o filósofo alemão, o indivíduo deve caminhar na direção de uma consciência crítica baseada na dignidade e no respeito às diferenças. Considerando essa perspectiva na análise da conjuntura atual, tem-se a questão da maternidade compulsória em debate no Brasil, o que reflete como os meios midiáticos contribuem com a problemática apresentada.

Em primeira análise, segundo o legado deixado pelo geógrafo Milton Santos, o meio técnico-científico-informacional consiste em mudanças na rapidez da produção e dissipação de produtos e informações. Por isso, os meio midiáticos na atualidade agem de modo a divulgar informações e conjuntamente à publicidade, podem interferir na interpretação de um tema devido ao modo que é apresentado. Portanto, exemplifica-se o fato apresentado  com o filme “Comer, rezar e amar”, em que a protagonista era pessionada a ter filhos por uma sociedade em que a maternidade é vista como uma obrigação feminina.

Outrossim, na Grécia Antiga há a presença de uma sociedade misógina e patriarcal, em que as mulheres possuíam obrigação de procriação e de cuidar de seus filhos. Por analogia, a comunidade hodierna não apresenta tantas diferenças, como visto segundo uma pesquisa realizada pelo “Repórter unesp”, em que 54,7% das mulheres entrevistas diz possuir vontade de ser mãe. Desse modo, faz-se necessária a compreensão de que em muitos casos existe uma imposição histórica da maternidade  e conseguinte violação do artigo 5° da Constituição Federal de 1988, devido ao não cumprimento do direito à liberdade proposto no documento devido a problemática apresentada.

Em suma, são evidentes mudanças indispensáveis para a garantia do bem-estar social. Sendo assim, o Ministério da Educação, como instrumento de metamorfose social, deve atuar com palestras acerca de como os meios midiáticos interferem na pressão feminina para ter filhos e suas consequências, por meio de escolas e associações de bairro, de modo a garantir uma conscientização coletiva acerca do assunto apresentado. Somente assim poderão ser seguidos os preceitos propostos pelo filósofo Adorno, no caminho para a problematização da maternidade compulsória em debate no Brasil.