Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 02/10/2021

O patriarcalismo é uma das principais mazelas sociais herdadas no Brasil. Tal sistema, constitui-se, basicamente, pela disparidade entre os gêneros, uma vez que as mulheres eram vistas como submissas em relação ao sexo oposto e também pela questão da imposição da maternidade compulsória na sociedade atual.

Em primeira análise, vale ressaltar que, em meados do século anterior, somente o homem provia o sustento da família ao passo que a mulher era imcumbida de cuidar da casa, bem como dos filhos. Tal condição era comumente praticada sem nenhum questionamento. Além disso, seria impensável qualquer outra atividade, senão a de dona de casa. Hodiernamente, apesar da resistência do conservadorismo, muitas delas conquistaram a ascensão social, por meio da participação na política e ocupação em cargos de lideranças em grandes empresas, o que destrói a ideia de submissão e completa dependência dos homens.

Em segunda análise, a problemática da obrigatoriedade da gestação segue na contramão dos direitos de escolhas individuais, previstos na Constituição Federal de 1988. De acordo com o portal “O Tempo”, 37% das brasileiras não querem ser mães. Diante da nota, constata-se que há uma parcela considerável do sexo feminino que não acredita que a maternidade é sinônimo de felicidade, tendo em vista que existem outras maneiras de alcançar tal sentimento, como fazer viagens, investir na carreira profissional ou nos estudos. Em outras palavras, a vida materna não deve ser tratada como uma fase natural de todas as mulheres, afinal é improvável afirmar que todas elas almejam a mesma coisa, pois são 109,4 milhões de brasileiras, o que corresponde a 52,2% da população geral, segundo a Agência Brasil.

Evidencia-se, destarte, que o patriarcado é um mal que deve ser erradicado para que haja, de fato, a igualdade entre os envolvidos. Para tal, cabe aos pais, cuja criação foi regida pelo sistema referido, compreender a situação atual da sociedade moderna, a fim de observar a importância não somente do livre-arbítrio de suas filhas ou netas, mas também a necessidade da independência delas, seja emocional, seja financeira para assegurar a felicidade delas, por meio de diálogos e pesquisas sobre o que as torna realizadas. Outrossim, a sociedade de hoje, por sua vez, deve colaborar apoiando-as, com a desvinculação da equação: casamento+filhos= felicidade. Logo, práticas, como essas serão irrefutáveis para desobrigar gestão das mulheres.