Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 27/09/2021

De acordo com uma pesquisa feita pelo jornal Repórter Unesp, 45,3% das entrevistadas, de um grupo de 1537 mulheres, não desejam ser mães. Esse resultado choca a sociedade brasileira, uma vez que ela considera a maternidade como algo obrigatório as mulheres. Desse modo, essa imposição é fruto da sociedade patriarcal, o que causa uma violência simbólica em relação à liberdade de escolha individual feminino.

Essencialmente, é importante pontuar que a sociedade patriarcal brasileira é o fator responsável pela maternidade compulsória no país. Segundo a ideia de Habitus, de Pierre Bourdieu, sociólogo farncês, há um espaço entre a sociedade e o indivíduo que comanda às ações deste. Assim sendo, o patriarcado guia as ações dos brasileiros no que tange a apropriação do corpo feminino, impondo a maternidade como algo indispensável e julgando, dessa forma, mulheres que não desejam ser mães como frias, insensíveis e incompletas.

Ademais, a imposição da maternidade e o julgamento tornam-se uma violência simbólica em relação a liberdade de escolha feminina. Desse modo, as brasileiras sofrem com comentários machistas em seu cotidiano sobre a escolha em relação a não gerar uma vida. Esses comentários trazem diversas consequências psicológicas, como crises de ansiedade e quadros depressivos, afetando negativamente a saúde dessas mulheres.

Portanto, medidas são necessárias para o controle da maternidade compulsória no Brasil. Por isso, a Secretaria Especial de Comunicação - responsável pela publicidade do Governo Federal - deve liberar verba para  criação de propagandas e debates que induzam o corpo social a respeitar a liberdade de escolha feminina em relação à maternidade. Assim, essas propagandas e debates devem contar com a participação de psicólogos, também, devem ser exibidos em rede televisiva e mídias sociais a fim de minimizar a violência simbólica causada pela sociedade. Dessa maneira, o Habitus brasileiro estará livre do patriarcado.