Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 21/10/2021
O filósofo contemporâneo Byung-Chul Han defende que, sob a lógica capitalista, muitas ações naturais ganham um aspecto de compulsão, por visarem, principalmente, a produtividade. Entre essas ações, encontra-se a gravidez. Devido a isso, é importante reconhecer que muitas mulheres passam pela chamada maternidade compulsória, pois a gravidez é tida como indispensável, e, devido ao machismo, elas buscam aprovação da sociedade.
Primordialmente, convém mencionar o extenso trabalho realizado pela socióloga marxista Silvia Federici, em seu livro “Calibã e a Bruxa”. Na obra, Silvia afirma que o trabalho reprodutivo ganhou um teor desprovido de liberdade durante o desenvolvimento do capitalismo, de maneira que as mulheres passaram a ser severamente punidas, caso não engravidassem. A execução massiva que ocorreu durante os últimos séculos da Idade Média ficou conhecida como “caça às bruxas”, porém, apesar de sua característica mais letal ter ficado no século XVI, a situação atual não difere essencialmente da condição de outrora. Logo, Federici avalia que, até os dias presentes, mulheres são socialmente excluídas caso não exerçam o papel que lhes é designado, de maneira que é criado um ambiente opressivo, em que a gravidez não ocorre naturalmente, mas, sim, por pressão alheia.
Adicionalmente, é essencial aludir ao livro “Mulheres que Correm com os Lobos”, escrito pela psicóloga norte-americana Clarissa Pinkola Estés, no qual a autora defende que o machismo exerce forte influência sobre a condição mental feminina. Em outras palavras, as escolhas que as mulheres tomam tornam-se cada vez menos voluntárias, já que buscam constante aprovação da sociedade, com a intenção de evitar o sofrimento. Além disso, a pensadora alega que as meninas são estimuladas, desde a infância, a reproduzir comportamentos maternos. Consequentemente, o grande peso do cuidado com as outras vidas é colocado sobre seus ombros, e muitas das garotas perdem o interesse por si mesmas. Isso posto, afirma-se que a mentalidade da maternidade compulsória é prejudicial para as mulheres e deve ser combatida.
Em conclusão, põe-se que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos deve conscientizar a população sobre o tema da maternidade compulsória. Isso pode ser feito por meio da realização de palestras a nível nacional, ministrada por mães, especialmente aquelas que já tenham passado por depressão pós-parto e outros transtornos, e mulheres que não pretendem engravidar. O objetivo de tal ação é gerar uma mudança na mentalidade da população, a partir do exercício da alteridade, para evitar a lógica repressiva sobre essa parte da população. Dessa maneira, a sociedade descrita por Byung-Chul Han verá um alívio na compulsoriedade.