Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 08/10/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade ideal, na qual o corpo social se padroniza pela ausência de conflitos. No entanto, observa-se na conjuntura contemporânea atual o oposto da coletividade sublime defendida pelo autor, uma vez que a maternidade compulsória no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Nesse contexto, verifica-se a configuração de um grave problema, que tem como causas a falta de empatia do público e a má influência midiática.
Em primeiro plano, é notório que o escasso exercício da empatia contribui para a problemática. Segundo o filósofo Immanuel Kant, os indivíduos devem agir conforme o dever moralmente correto, levando em consideração a existência do outro. Entretanto, esse princípio não é plenamente executado no país, visto que as mulheres são, muitas vezes, discriminadas pela sociedade quando escolhem não ter filhos, sendo taxadas de preguiçosas e egoístas tanto por amigos, quanto pela própria família. Em consequência disso, muitas mulheres acabam se sentindo pressionadas a serem mães, fator esse que afeta negativamente a saúde mental delas e potencializa o desafio em questão. Dessa forma, nota-se que esse desrespeito precisa ser desmotivado.
Ademais, é crucial pontuar a contribuição assumida pelos meios de comunicação em massa na temática. De acordo com o pensador Pierre Bourdieu, o que foi criado para democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Todavia, no que tange ao debate sobre a maternidade compulsória, a mídia não cumpre seu papel democrático, haja vista que silencia o problema ao não o abordar de forma massiva, além de impulsionar a maternidade como um padrão necessário para a felicidade familiar perfeita. Assim, é inadmissível que esse quadro continue a perdurar.
Mediante a isso, medidas exequíveis são imprescindíveis para alterar esse cenário infeliz. Para isso, o Ministério da Educação, órgão responsável pela educação pública do país, deve criar uma campanha que vise mitigar a pressão social da mulher pela maternidade. Tal ação precisa ser realizada por meio de palestras e debates, em escolas e praças públicas, com profissionais da saúde e professores especializados no assunto, a fim de gerar o senso crítico na população e promover a harmonia social. Além disso, as emissoras de televisão e rádio podem, também, divulgar tal campanha em horário de maior audiência. Dessa maneira, a coletividade alcançará progressivamente a Utopia de More.