Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 17/10/2021

Sabe-se que a sociedade brasileira foi alicerçada sobre fundamentos cristãos. Sob essa perspectiva, é correto afirmar que a visão cristã arcaico-medieval, que subjugava a figura feminina e a colocava em posição de submissão frente à sociedade, ainda ecoa na cultura do Brasil. Como consequência, as mulheres são pressionadas a terem filhos e a pensarem nisso como caminho único para a felicidade. Ademais, a mídia reforça essa ideia em sua teledramaturgia e em seus programas de entretenimento. Destarte, esta é uma problemática que urge solução, não somente pelos poderes públicos, mas também por toda a sociedade.

Em primeira análise, observa-se que o machismo arraigado na construção da sociedade brasileira, uma das marcas da visão cristã arcaico-medieval de outrora, é um dos fatores que contribuem na ideia de obrigatoriedade da maternidade. “O que não for bom para a colmeia também não é bom para a abelha”. Nessa perspectiva, a frase do filósofo francês Montesquieu permite validar que a questão da maternidade compulsória atinge negativamente toda a sociedade, mesmo não interferindo de forma igualitária a todos. Dessa forma, é preciso que o poder público insira todos os grupos sociais nesse debate.

Paralelo a isso, já existem grupos que, de formas distintas, discutem essa problemática: o movimento feminista e o movimento antinatalista. No entanto, esses movimentos têm mais força nas mídias sociais, não tendo a necessária visibilidade na mídia tradicional. Sob este viés, o movimento feminista, com base na ideia da escritora Simone de Beauvoir, que o trabalho é o caminho para diminuir a distância que separa a mulher do homem, dando às mulheres o direito de escolha acerca do caminho que a vida delas deve seguir. O movimento antinatalista, por sua vez, defende que qualquer indivíduo pode lutar pelo direito de ter acesso a métodos contraceptivos, como a laqueadura. Dessa maneira, é preciso que a mídia tradicional dê voz a esses movimentos.

Diante do exposto acerca das causas e consequências da questão da maternidade compulsória, é necessário, portanto, que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos promova discussões elucidativas às escolas, universidades e associação de moradores, por meio de palestras e programas educacionais,  com vistas a esclarecer os paradigmas que a sociedade ainda tem sobre o assunto. Assim, a ideia de maternidade compulsória será desconstruída em todos os grupos sociais. Ademais, a mídia, por intermédio de suas novelas e programas de TV, deve abordar outras visões de projeto de vida, como as dos movimentos feminista e antinatalista. Com isso, a sociedade superará o ideal arcaico-medieval sobre as escolhas pessoais das mulheres.