Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 20/10/2021

O conceito de maternidade compulsória surge da ideia de que as mulheres são imcompletas sem filhos. Assim, o termo ‘‘compulsório’’ deriva da perda de autonomia na decisão de construir, ou não, uma família com filhos. Inclusive, infelizmente, essa pressão é imposta pela sociedade e até mesmo pelo núcleo familiar, que usa do argumento de que a mulher nasce para ter filhos, romantizando a maternidade.

Nesse contexto, observa-se uma grande pressão social para que as mulheres brasileiras procriem. Além disso, observa-se uma cobrança para que além de bem sucedida profissionalmente, ela dê conta de cuidar da casa e da educação dos filhos. Do mesmo modo, existe a construção social de que é natural para toda mulher ser mãe, sendo colocada, inclusive, como um dom. É notório também o preconceito contra a realização pessoal dessa mulher, pois a comunidade faz ela acreditar que deve abdicar de sua vida e seus sonhos para criar o filho, sendo mãe em tempo integral.

Dessa maneira, a romantização da maternidade causa grandes choques de realidade na vida da mulher, tendo em vista que o assunto não é abordado de forma racional, contando sobre as dores, dúvidas e inseguranças que surgem ao tornar-se mãe. Embora seja considerado um tabu pela sociedade, a pauta sobre a maternidade real está sendo cada vez mais debatida, a exemplo de uma série de episódios feitos pela blogueira Bianca Andrade, com o documentário no YouTube denominado Mãe na Real, em que ela compartilha tanto as coisas boas quanto as coisas difíceis da maternidade, colaborando para o debate do assunto, bem como o acolhimento de mães que passam por essas situações e não falam sobre isso, por acharem que são fracas ou não são boas mães.

Portanto, visto que a maternidade compulsória é recorrente no Brasil e que há uma grande necessidade de debate e mudança de pensamento comunitário, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, promova a criação de uma nova mentalidade social, por meio de campanhas em redes sociais e outros veículos midiáticos, em que as mulheres possam compartilhar suas experiências, bem como a participação de profissionais da saúde para salientar as dúvidas dos participantes. Dessa forma, com tais medidas, espera-se uma diminuição na maternidade compulsória e uma maior autonomia da mulher em decidir o seu futuro.