Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 28/10/2021

De acordo com o sociólogo Emille Durkheim, os indivíduos sofrem uma coerção social por valores preestabelecidos ao longo da história da sociedade, fato que determina suas ações. Assim como na perspectiva de Durkheim, é correto entender a gravidez compulsória no Brasil como fruto de padrões histórico-sociais e, sendo assim, pode-se afirmar que essa problemática é resultado da cultura do patriarcalismo e ocasiona maiores entraves na vida das mulheres.

Mormente, ainda sob a ótica de Durkheim, as Instituições sociais seriam um conjunto de regras homogeneizadas para preservar a organização de dado grupo. Desse modo, é possível dizer que a gravidez compulsória consiste em diretrizes criadas pela Igreja Católica( desde a Idade Média ) para manter a ordem patriarcal, na qual a mulher seria submissa ao homem e sua principal função se resume em gerar filhos, tal situação tem raízes profundas na sociedade brasileira e isso limita o espaço de atuação e as ambições das mulheres, ao passo que perpetua o patriarcalismo.

Destarte, a sociedade impõe a ideia de ser mãe como realização de vida às mulheres e, assim, elas acumulam responsabilidades maternais que geram entraves significativos no seu desenvolvimento acadêmico, profis-sional e social. Em conformidade com esse ponto de vista, uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas( feita em 2017 ) afirma que metade das mães perdem o emprego em até 2 anos após a licença-maternidade, ou seja, a maternidade compulsória sustenta barreiras contra a ascenção feminina.

Portanto, tendo em vista que a gravidez compulsória resulta do patriar-calismo enraizado e gera limites na vida das mulheres, é necessário des-construir essa concepção. Para tanto, o Estado deve criar um programa de conscientização em massa para alertar sobre o lado “sombrio” da ma-ternidade( o qual envole estresse, cansaço e jornada dupla de trabalho ao criar os filhos e trabalhar ou estudar ), por meio da divulgação nas mídias em geral. Por fim, a sociedade estaria ciente dos padrões históricos, os “tabus” seriam quebrados e a gravidez compulsória iria diminuir.