Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 03/11/2021
Historicamente, a função de mulheres em uma sociedade se baseou na capacidade de gerar filhos, independentemente de suas vontades individuais. Visto isso, em comunidades onde a influência religiosa prevalece, o número de filhos por mulher aumenta, pois a perpetuação da espécie é uma das características principais de religiões seculares. Deste modo, a maternidade compulsória no Brasil está diretamente relacionada às imposições de uma cultura religiosa e patriarcal, ou seja, a ausência de escolha por parte das mulheres no país reflete as pressões vivenciadas em seu cotidiano.
Quanto à maternidade compulsória no Brasil, um aspecto significativo deve ser considerado. Parmênides definiu como “Identidade Filosófica” a necessidade de atribuição de características a dado problema a fim de que sua resolução seja efetiva. Sendo assim, é importante considerar os fatos que levam a isto, como por exemplo, as condições psicológicas e financeiras que mulheres que não desejam ter filhos precisam possuir, visto que o acesso à métodos contraceptivos no país ainda é escasso, bem como um tabu. Deste modo, a maternidade mandatória se relaciona não só com as pressões sociais cotidianas, mas também com a estabilidade financeira dos indivíduos em questão.
No entanto, outro aspecto notável deve ser considerado. Ariana Harwiez, em seu livro “Morra, amor” mostra uma mulher tendo que lidar com o primeiro filho ao mesmo tempo em que tenta entender quando se tornou cativa, presa às vontades de um ser, quando perdeu sua liberdade, seu sexo, seus desejos para deixar “levar seu coração com o outro para sempre”. Analogamente, mulheres que cedem às imposições sociais e de fato dão a luz, podem acabar se tornando infelizes com tal decisão, visto que suas vontades não foram amplamente consideradas. Assim, a maternidade compulsória no Brasil causa nas mulheres a infelicidade e o não pertenciamento à si mesma.
Portanto, a maternidade compulsória é consequência de séculos de subjugação feminina forçada por uma sociedade machista. Para que tal problema seja enfrentado, é importante que existam condições para que mulheres não se submetam à gravidez; isto pode ser realizado por intermédio de investimentos governamentais no sistema único de saúde (SUS), o qual pode providenciar laqueaduras, métodos contraceptivos, abortos seguros e atendimento psicológico àquelas mulheres que necessitam de amparo, bem como a conscientização de médicos nas faculdades de medicina a respeito do assunto, visto que tais profissionais muitas vezes não possuem aptidão para lidar com situções como esta. Assim, o país se tornará um local onde todos se sintam livres para realizar as próprias escolhas sem julgamentos.