Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 20/11/2021

No livro “Clara de Anjos” o escritor Lima Barreto apresenta a história de uma protagonista que teve uma gravidez indesejada. Similarmente, milhares de brasileiras são obrigadas a enfrentar uma gestação que não querem, por não ter acesso à educação sexual, gerando filhos inoportunos que que muitas vezes carregarão a culpa. Nesse sentido, torna-se necessário discutir tais fatores que contribuem para a propagação dessa dificuldade.

Primeiramente, é necessário entender que a maternidade deve ser uma escolha madura e responsável, pautada no desenvolvimento social e econômico. Além disso, pesquisa do Repórter Unesp mostra que 45,3% das entrevistadas não desejam ser mães, o que mostra a necessidade crucial de uma educação sexual eficaz e do acesso aos métodos contraceptivos eficientes. Ademais, vale lembrar que em 2018, 15,5% do total de partos no Brasil foi de mães adolescentes entre 10 e 19 anos, o que demonstra a falácia da educação sexual nos ambientes escolar e familiar no país.

Posteriormente, destaca-se que uma gravidez indesejada traz consequências devastadoras não só para a vida da mãe, mas também da criança, que muitas vezes se desenvolverá num ambiente inóspito e com acesso limitado a direitos essenciais, como educação e saúde. Assim, analogamente à citação de Simone de Beauvoir, não se nasce mãe, torna-se mãe, muitas vezes de maneira obrigatória e indesejada. Dessa forma, é necessária uma rápida adequação das políticas sanitárias voltadas ao planejamento familiar no país.

Em suma, na tentativa de minimizar os danos já causados ​​à sociedade por tal quadro, o Governo Federal, através dos Ministérios da Educação e da Economia - responsável pela melhoria educacional e planejamento financeiro da nação - deve incentivar práticas de apoio econômico jovens mães, fomentando a abertura de novos postos de trabalho voltados a elas, bem como a implantação obrigatória da educação sexual nos primeiros anos do ensino fundamental, o que assegurará uma decisão responsável no âmbito do planejamento familiar. Assim, casos como o de Clara foram evitados no futuro.