Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 13/11/2021

A Constituição federal de 1988 é clara ao dizer que todos os seres possuem o direito a livre manifestação do pensamento. Contudo, nota-se que tal lei não é efetiva no Brasil, visto que a maternidade compulsória está vigente na sociedade, sendo um impedimento ao livre arbítrio. Dessa forma, a problemática é causada, na maioria das vezes, por uma instrução sexista que é imposta nas mulheres, tendo como consequência a interferência na escolha individual, sendo necessário a discussão e a resolução do impasse.

Em primeiro lugar, é no mínimo negligente ignorar o quanto a sociedade impõe nas mulheres a necessidade e os motivos de se ter um filho. Nesse viés, tal influência é perceptível já desde criança, posto que os brinquedos das meninas são, em sua maioria, bonecas de bebê e mamadeiras, o que permite instaurar o instinto materno. Desse modo, a ‘‘Atitude Blasé’’ -termo proposto pelo sociólogo Georg Simmel- ocorre quando o indivíduo passa a agir com indiferença em meio às situações que ele deveria dar atenção. Sob tal ótica, com a permanência de instruções focadas na maternidade, nota-se o desprezo e o desinteresse dos povos em resolver o problema.

Outrossim, influenciar a mulher em suas escolhas é um impedimento à sua liberdade. Seguindo essa linha de pensamento, segundo Herbert José de Sousa, sociólogo brasileiro e ativista dos direitos humanos, o desenvolvimento humano só será efetivado quando a sociedade afirmar 5 princípios fundamentais, sendo um deles, a liberdade. Logo, a partir do momento que uma mulher tem um filho por conta da pressão social na qual ela está exposta, percebe-se que a sociedade é muita das vezes capaz de controlar o pensamento dos indivíduos, se igualando ao Ministério da verdade que existe no universo do livro ‘‘1984’’ de George Orweell, que relata sobre um Estado totalitário em que a população não possui o poder de escolha, sendo um bloqueio á escolha individual.

Portanto, são necessários meios capazes de extinguir a manipulação e a influência dos seres sobre as escolhas das mulheres. Sendo assim, urge que as mídias, principal meio influenciador e divulgador de informações, por meio de comerciais, contribua com o empoderamento e liberdade de escolha sobre a maternidade das mulheres, para que seja impedido qualquer instrução sexista ou interferência externa sobre suas decisões. Fazendo isso, a liberdade de pensamento, como previsto na Constituição de 1988 será garantida, criando-se uma sociedade sólida.