Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 13/11/2021
Na Grécia Antiga, as mulheres da cidade de Atenas não eram consideradas cidadãs, tendo o único objetivo de preparar os filhos para a idade adulta. Nesse cenário, evidencia-se a origem do machismo que, por muito tempo, perpetuou a ideia da mulher ser, apenas, uma função biológica. Contudo, tal problemática foi instaurada na cultura brasileira, posto que a mulher contemporânea padece da maternidade compulsória, seja pelo pensamento conservador da sociedade, seja pela carência de informações sobre métodos contraceptivos.
A priori, é notório que inúmeros casos de gravidez foram ocasionados pela pressão familiar. Conforme as Ciências Médicas, a gestação é um momento de mudanças hormonais, que culminam em fragilidade emocional, sendo imprescindível que a mulher queira o filho, ao revés, doenças como depressão pós-parto poderão ocorrer. Logo, a imposição da família diante ao assunto vai contra o desejo individual e natural da pessoa, e, por conseguinte, origina adversidades na saúde. Assim, a maternidade compulsória não é só um problema social, como também sanitário.
Em segundo lugar, a falta de conhecimento sobre métodos contraceptivos também acentua a problemática. Diante à carência de matérias escolares que visem a Educação Sexual, informações sobre como evitar a gravidez não é democratizada. Ademais, no cenário em que o aborto não é legalizado, este erro terá consequências, como a responsabilidade parental precoce para parte da população, que interfere emocional e financeiramente as vidas desses indivíduos. Portanto, identifica-se um problema educacional.
À vista disso, faz-se mister que o Estado tome medidas para combater a problemática. Para isso, o Ministério da Educação precisa arquitetar maneiras para evitar a gravidez acidental, por meio de palestras nas escolas públicas sobre métodos contraceptivos, e de propagandas nas mídias sociais que visem pontuar as consequências do sexo inseguro -como doenças sexualmente transmissíveis e a gestação-. Em conjunto, o Ministério Público necessita realizar campanhas que visem o empoderamento feminino, com a inserção de discursos que estimulem o poder de escolha individual nas situações familiares. Deste modo, a maternidade poderá ser uma decisão da mulher e, diferentemente da Grécia Antiga, ideais machistas não serão perpetuados.