Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 15/11/2021
Durante os anos 60 o movimento feminista ganhou força no Brasil, já que com o aperfeiçoamento dos métodos contraceptivos o sexo se tornou algo mais fácil de ser desvinculado com o ato de procriar. No entanto, ainda existe uma problemática ligada a esse assunto, como a maternidade compulsória, que está presente no cotidiano da maioria das mulheres brasileiras. Tal termo se refere a ideia de que toda mulher é “obrigada” a ter filhos, isso acontece não só pela cultura do patriarcado nas diversas esferas da vida, como também pela idealização da maternidade, passada de geração a geração.
Em primeira análise, é importante destacar que o machismo está na estrutura da sociedade contemporânea, tal fator traz péssimas consequências, com as quais muitos já estão acostumados, por exemplo, a ideia de que a função social do homem é trabalhar, enquanto a da mulher é gerar uma vida e cuidar dela. Assim como a escritora e ativista francesa, Simone de Beauvoir afirmou, o mais escandaloso dos escândalos é que as pessoas se habituam a eles, de tal maneira que esses pensamentos machistas que defendem que o papel da mulher é ter um filho é uma ideia que a população já está acostumada e reproduz.
Além disso, a romantização da maternidade também é um fator que colabora com esse pensamento arcaico, de tal forma que deixa a mulher sem escolha se quer ou não ter filhos, já que é imposta sobre elas uma pressão, em que caso decidam não procriar elas “não conhecerão o amor verdadeiro de mãe”, “não se realizarão por completo”, entre outras falas que idealizam esse ato de ser mãe. Porém, o feminismo, como a atriz e ativista feminina Emma Watson descreveu, é dar escolhas às mulheres, é liberdade, liberação, igualdade. Desse modo, é necessário apoiar a causa feminista, para dar um maior poder de fala às mulheres, e empoderar aquelas que decidam não gerar uma vida em seus respectivos ventres, pois, só assim, essas não se sentirão pressionadas a tomar essa decisão para agradar ninguém além delas mesmas.
Portanto, pode-se inferir que o debate sobre a maternidade compulsória é urgente e carece de soluções. Nesse sentindo, cabe ao Poder Legislativo fazer seu papel, por meio da reformulação da lei que afirma que a mulher só pode fazer o procedimento de laqueadura depois dos 25 e se já possuir dois filhos, para que, assim, ao mudar a lei para uma idade em que a mulher já responda por si e sem restrições, seja possível que as mulheres sejam livre para optar se terão ou não um bebê. Ademais, é necessário desconstruir esse pensamento machista intrínseco na sociedade brasileira, além de parar com a idealização da maternidade, e também apoiar o movimento que ganhou força nos anos 60 no Brasil, para que dessa forma, seja alcançada a liberdade feminina.