Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 17/11/2021
Na Primeira Revolução Industrial, ocorrido na Inglaterra, no século 17, homens tinham a responsabilidade social de trabalhar nas fábricas, enquanto as mulheres haviam que cuidar de seus filhos. Analogamente, no Brasil, é notável a pressão para que mulheres tenham filhos, o que muitas vezes, prejudica suas vidas. Fruto esse, não só da desigualdade de gênero no mercado de trabalho, como também, da falta de medidas governamentais para a igualdade das mulheres na sociedade. Certamente, é necessária uma resposta ativa para amenizar esse impasse.
Primeiramente, é importante analisar a situação da tradição machista no trabalho. De acordo com o IBGE (instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa de desemprego feminino é quase 40% superior ao masculino. Desse modo, é nítido a inferiorização feminina na obtenção de empregos. Logo, as mulheres que não possuem trabalho são pressionadas economicamente, de forma egoísta, a obterem filhos com seus parceiros e depender financeiramente deste. Assim, a diferença no desemprego contribui para a perpetuação da problemática.
Ademais, é necessário averiguar a relação governamental com a problemática. Esse contexto de ineficiência do estado exemplifica a teoria das Instituições de Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades em programas de igualdade de gênero, as mulheres são inferiorizadas na sociedade. Dessa forma, é rotulado às mulheres a função de procriação. Por consequência, essas são influenciadas a terem filhos, uma vez que, isso é imposto como obrigação social. Conclui-se, então, que a maternidade compulsória é estimulada pela incompetência estatal.
Portanto, é mister, que o governo tome as devidas atitudes para resolver o empecilho. Urge, assim, que o Ministério da Cidadania - órgão responsável pela administração do dever e direito do cidadão - incentive a igualdade de gênero na sociedade. Isto é, por meio de uma reunião com as principais representantes dos direitos da mulher, a fim de articularem programas que estimulem essas a lutarem pelos seus direitos e desmistifiquem os paradigmas impostos. Esse que será posto em prática em todo território nacional. Também, em parceria com o Ministério do Trabalho, crie cotas trabalhistas para o sexo feminino. Para que, assim, a sociedade possa se revolucionar através da igualdade. Diferentemente, como fez a Inglaterra na Revolução Industrial.