Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 19/11/2021

“Maternidade Compulsória” é um termo que se refere à obrigatoriedade de ser mãe, incutida pela sociedade, em todas as mulheres desde sua infância. Tal realidade pode ser facilmente percebida no filme Juno, no qual a protagonista, uma adolescente, engravida e mesmo sem qualquer condição financeira e psicológica é intensamente pressionada à assumir o papel materno. Essa responsabilidade social forçosa é extremamente cruel, visto que: as mulheres que a recusam são oprimidas no coletivo e, corrobora com a inferiorização feminina, em comparação aos indivíduos do sexo mascilino.

De antemão, é válido ressaltar que a horrenda opressão social é atribuida à toda e qualquer mulher que negue a maternidade a ela imposta. Dado que, não leva em consideração os possíveis danos à saúde física e mental dessa, muito menos a incapacidade de suprir de maneira digna as necessidades básicas da possível prole. Tal qual evidenciado no Brasil, no final de 2020, quando uma garota pobre, de apenas 10 anos- apos decidir, como lhe assegura a lei, abortar um feto fruto de abuso sexual- teve seus dados criminalmente divulgados, pela ativista ultra conservadora Sara Winter, sendo consequentemente perseguida e difamada, até mesmo no hospital que realizou o procedimento. Tais atitudes são atrozes, visto que culpabilizam a vítima e ferem um indivíduo, há muito massacrado, que teve direitos mínimos negados.

Ademais, a determinação de que as pertencentes ao sexo feminino devem ter filhos ainda que não o queiram, reforça intrissicamente sua desigualdade perante os homens. Pois, além da ilegalidade do aborto, em grande parte dos países, expressar a falta de direito das mulheres para realizar as decissões que envolvem seus próprios corpos; o asseguramento inexistente , por parte dos Governos de creches, escolas, saúde de qualidade e trabalhos com carga horária flexível, impossibilitam que mulheres, que carregam a real responsabilidade de cuidar das proles, possam viver plenamente como indivíduos e ter filhos sem amplo planejamento e esforço. O que é posto em evidencia no livro Mães arrependidas de Orna Donath, que aborda a sobrevivência árdua de muitas mães, impostas à maternidade, para suprir o mínimo do que é necessário aos seus descendentes, renegando-se, quase sempre, no processo.

Em suma, cabe a ideólogas como Caroline Balduci- produtora do documentário “Odeio a Maternidade, amo meu filho”- veicular massivamente conteúdos que ponham em pauta a maternidade compulsória, por meio de redes sociais como o instagram. Para que, as mulheres estejam mais informadas para se impor em suas decissões e para exercer sua cidadania, elegendo outras representantes femininas que lutem pela equidade de direitos entre os seres de diferentes sexos. Destarte, amenizando a vexação comunitária sofrida pelas mulheres que não desejam ser mães e a desigualdade de gênero.