Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 20/11/2021
Segundo uma pesquisa feita pelo Repórter Unesp com 1537 mulheres, grande parte das entrevistadas, cerca de 54,7%, tem vontade de ser mãe, porém o restante de 45,3% não divide dessa mesma vontade. Essa parcela de mulheres que não têm desejo de serem mães, sofrem enorme pressão social e julgamentos, que são provindos de uma socialização nos moldes patriarcais, onde a mulher têm como principal função, gerar novas vidas, sendo cuidadora do lar e da família. No panorama atual, a gravidez passou a ser uma opção, devido a autonomia que a maioria das mulheres passaram a ter com suas vidas e seus corpos. Porém, no contexto social a maternidade ainda possui um sentido de obrigatoriedade, ocasionando influência, em mulheres que por sua vez, não possuiam anseio em serem mães.
Nesse contexto, a autora Arilda Inês Miranda Ribeiro, em sua obra “500 anos de Educação no Brasil”, afirma que as mulheres eram enxergadas, da mesma forma que as crianças e os doentes mentais, como o “imbecilitus sexus”, isto é, o sexo imbecil. Dessa forma, a sociedade perdurou por anos. O capitalismo e a Revolução Industrial, trouxeram a inserção das mulheres no mercado de trabalho, e posteriormente a isso as mulheres avançaram com diversas lutas pela equidade de direito entre os sexos. Isso posto, o gênero feminino alcançou importância em seus papéis na sociedade e liberdade de escolha, inclusive de gerar um filho ou não. Embora, haja essa liberdade de escolha, ser mãe, ainda é romantizado, visto como um “milagre”, e taxado como egoísmo caso não exista esse interesse.
Entretando, se trata apenas uma opção que pode ser definida pela mulher individualmente, ou juntamente com seu parceiro ou parceira, e se trata de seu corpo e sua vida, e não necessita de pressão e julgamento alheio. Diante desse cenário, há precariedade de educação sexual no Brasil. De acordo com pesquisa da psicóloga e doutura Mary Neide Figueiró da Universidade Estadual Paulista (UNESP), menos de 20% das escolas públicas do país têm projetos amplos e contínuos de educação sexual voltados para crianças e adolescentes do Ensino Fundamental. Visto que a educação sobre sexualidade é primoridial para o entendimento sobre autonomia na escolha de ter um filho.
Acerca disso, a obra “Mulherzinhas” de Louisa May Alcott, narra a trama da protagonista Jo March, que se sente deslocada das outras mulheres, por não almejar tão fortemente se casar e ter filhos, tal fato que é corriqueiro e não acontece apenas na literatura. Posto isso, afim de reafirmar a liberdade das mulheres do direito de engravidar ou não, o Governo federal, por meio do Ministério da Saúde pode promover campanhas sobre o direito de escolhas das mulheres, em meios midiáticos, como televisão, revistas, rádio. Para que cada vez mais a maternidade seja desatrelada a julgamentos e preconceitos.