Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 15/01/2022

O filme “Precisamos falar sobre Kevin”, exibe em seu enredo a vida de Eva, uma mulher que dá à luz a um filho que não tinha certeza que queria ter.  Pode-se afirmar que a protagonista da obra viveu um caso de maternidade compulsória, em que a mulher não obtem da total decisão de reproduzir, muito presente na sociedade brasileira, por conseguinte de raízes históricas e da romantização exacerbada da maternidade. Por via disto, faz-se necessária a análise de tais fatores.

Diante dessa realidade, é válido citar a existência de um patriarcado opressor do sexo feminino para a ocorrência da maternidade compulsória no país. Durante muito séculos a mulher foi vista apenas como uma pessoa destinada à reprodução, amamentação e criação dos filhos, pensamento que por mais que combatido na sociedade brasileira contemporânea, ainda perdura nas bases mentais de alguns indivíduos. Tal fato histórico contribui negativamente para estes casos, pois a pressão imposta as mulheres as impendem de decidir o que realmente querem.

Além disso, é necessário fundamentar a romantização equivocada da maternidade como um forte impulsionador para a gestação compulsória. Segundo um artigo escrito por Drauzio Valera, denominado “A maternidade não é obrigação”, o médico expõe que muitas pessoas ainda acreditam  que para ser completa, a mulher precisa ter filhos, mas esta é um visão equivocada. A maternidade pode ser maravilhosa para algumas mulheres, mesmo com seus muitos desafios, mas para outras não que poderiam usar do seu direito de engravidar ou viver sua vida sem filhos.

Depreende-se, então, a necessidade de resolver o problema. Para isso, é imprescindível que canais midiáticos como a ‘internet’, rede de imensa influência sobre as pessoas, busquem expor todas as facetas da maternidade, inclusive as ruins, destruindo também a ideia antiga e opressora de que a mulher foi criada para apenas ter filhos, podendo decidir o que quer para sua vida. Assim, as mulheres terão mais liberdade sobre suas escolhas e sobre seus próprios destinos, não caindo na ideia de que é obrigada a ter filhos.