Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 03/02/2022

Na série da Netflix “Suits”, o casal Mike Ross e Rachel Zane decidem não ter filhos para que ela possa focar mais em sua carreira profissional. O cenário no Brasil é bastante diferente, já que muitas mulheres são pressionadas pela sociedade para que sejam mães. Por isso, é evidente uma grande problemática: a imposição de uma obrigatoriedade de ter filhos- maternidade compulsória- impedindo que elas reflitam sobre suas reais vontades e individuais.

Primordialmente, é importante compreender que a população femimina sofre com uma enorme pressão social para que tenham filhos. Segundo o filósofo Jean Paul Sartre: “A existência precede a essência”, ou seja, cada ser acha suas motivações ao longo da vida, entretanto com amigos, famílias e sociedade pressionando, muitas mulheres não conseguem encontrar ou seguir sua verdadeira essência, já que deixam de realizar suas vontades e passam apenas a seguir o imposto pelo meio social, levando assim, uma vida infeliz.

Além disso, vale destacar que a maternidade exige enorme atenção, envolvendo questões trabalhistas, financeiras e principalmente de saúde- da mãe e da criança. Quando colocada contra sua vontade- como ocorre na maternidade compulsória- a mulher pode enfrentar um forte período de estresse e ainda vir a desenvolver depressão pós-parto, o que prejudica sua saúde e consequentemente a do bebê, já que segundo o “pai da psicanálise” Sigmunte Freud, grande parte dos traumas infantis são gerados a partir de problemas na gestação, que estão associados com abalos psicológicos gerados na mãe, como no caso de gravidez indesejada. Por isso, a maternidade deve vir apenas por vontade própria da mulher.

Depreende-se, portanto, que a maternidade compulsória é uma grande problemática no país, pois impede muitas mulheres de realizarem vontades próprias e ainda pode ser prejudicial à saúde. Por isso, cabe aos municípios organizarem multirões e palestras (onlines e presenciais) junto da população, visando conscientizar sobre os cuidados com o tema da maternidade e sobre a necessidade de valorizar a livre escolha do público feminino. Além de escolas- públicas e privadas- promoverem atividades interativas entre os jovens, que busquem valorizar a liberdade das mulheres e reduzir a pressão social pela maternidade. Apenas assim, mais casos como da série Suits serão possíveis, com mulheres priorizando sua individualidade e construindo um Brasil melhor e mais igualitário.