Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 06/06/2022
Apesar da evolução social alcançada por meio do feminismo, no que diz respeito ao direito de escolha feminina, a ocorrência da maternidade compulsória ainda é presente no Brasil. Baseado nisso, é evidente que esse sentimento de obrigatoriedade esteja vinculado ao machismo e o desrespeito constante sofrido por aquelas que pensam em não ter filhos as leva a terem mesmo assim.
Diante do contexto, o pensamento machista, reforçado desde a infância, é a causa fundamental da problemática. Sob essa ótica, a educadora parental Elisama Santos, em sua obra “Porque gritamos”, afirma que as garotas são ensinadas desde pequenas que o casamento e a concepção de filhos são os únicos caminhos de felicidade, enquanto os meninos são incentivados ao estudo e trabalho. Dessa forma, essas ideias acompanham a vida adulta dos brasileiros e são perpetuadas, fazendo com que mulheres gerem ou adotem crianças, sem ao menos se questionarem se isso é um desejo genuíno.
Outrossim, o desrespeito se apresenta como entrave na trajetória de mulheres que não são mães. Sob esse viés, de acordo com a filósofa Hannah Arendt, a diversidade é inerente a condição humana, de modo que os indivíduos deveriam estar habituados com ideias diferentes. No entanto, o oposto ocorre com aquelas que optam por não ter filhos, decisão considerada não padrão, uma vez que a maternidade é tratada como a relação que legitima de feminilidade. Dessa maneira, mulheres que não são mães, acabam sendo taxadas como incompletas e infelizes e muitas, por medo de tantas críticas e questionamentos, acabam cedendo a pressão de gerar ou adotar crianças.
Portanto, medidas são necessárias para transformar o cenário brasileiro. Cabe às escolas a promoção de rodas de conversas realizadas por professores e psicólogos, para crianças e responsáveis, que abordem sobre a importância do respeito quanto as escolhas do outro e sobre a igualdade de direitos entre os sexos. Assim, nossos cidadãos crescerão sob a menor influência do machismo e intolerância. Apenas dessa forma o Brasil será uma nação que cumpre o respeito pregado pelo feminismo, tornando a maternidade uma escolha e não uma obrigação.