Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 31/03/2022

O filósofo francês Sartre defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de viver, pois este seria livre e responsável. No entanto, percebe-se que a realidade não é assim em relação à questão da maternidade compulsória no país.Com isso, surge a questão da obrigação das mulheres brasileiras em serem mães, que persiste intrínseco no Brasil, seja pela formação familiar, seja pela lenta mudança na mentalidade da população.

Convém ressaltar, a princípio, que o desenvolvimento no seio familiar é um fator determinante para a persistência do problema. Nessa perspectiva, de acordo com o sociólogo Talcott Parsons, a família é uma máquina que produz personalidades humanas. Por essa ótica, a problemática da ideia de que gerar um filho faz parte da vida de uma mulher apresenta-se como um pensamento passado de geração em geração, o que dificulta seu extermínio por meio de debates públicos e reflexões internas, uma vez que o problema encontra-se dentro das casas das pessoas brasileiras e estende-se por uma longa linha do tempo.

Outrossim, a demorada mudança no intelecto das pessoas ainda é um grande impasse para a resolução da problemática.Assim sendo, conforme o sociólogo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, percebe-se que a questão da materninade forçada é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo. Nesse viés, os indivíduos que crescem inseridos em um contexto em que não há outra opção além de ser mãe e constituir uma família, a tendência é de adotarem esse comportamento também, o que torna sua solução ainda mais complexa. Por conseguinte, consoante levantamento do IBGE, quase 80% das mulheres casadas pretendem engravidar. Logo, medidas são necessárias para descontruir essa ideia de maternidade imposta.

Torna-se imperativo, então, desenvolver medidas que ajam sobre o problema. Destarte, é preciso que o Ministério da Educação proporcione a criação de oficinas educativas, a serem desenvolvidas nas semanais culturais das escolas. Dessa forma, palestras de sociólogos e discusões entre os estudantes carecem serem feitas para que orientem os jovens sobre o tema, a fim de efetivar a elucidação dos mais novos.