Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 20/04/2022

Em junho de 2019, o programa Fantástico, filiado à rede Globo, abordou em uma matéria diversas questões relacionadas à maternidade compulsória no Brasil, cujos principais desafios retratados estavam relacionados à visão machista sobre papéis de gênero e à perspectiva idealizada socialmente sobre a maternidade. Todavia, ainda hoje, permanecem os mesmos problemas. Logo, medidas são necessárias para corrigir tais intempéries.

Primeiramente, a visão machista sobre papéis de gênero são um problema, pois, de acordo com Simone de Beavouir, em seu livro -O Segundo Sexo- ninguém nasce com um gênero, você se torna de acordo com sua vida. Logo, apenas o órgão genital ou sua capacidade de reprodução não deve definir ações que um indivíduo deve tomar durante a existência e, dentre essas ações, a maternidade. Isso porque, de acordo com o livro Sapiens, a maternidade era uma necessidade evolutiva e não social. Logo, fica evidente que, na sociedade atual, em que a perpetuação das espécies não é de tanta importância, a maternidade, consequentemente deixa de ser, ficando, apenas, a ideia machista da obrigação da mulher em ter filhos.

Ademais, outro problema da maternidade compulsória no Brasil é a idealização social da maternidade. Isso porque, de acordo com recentes relatórios do IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), setenta por cento das mulheres entrevistadas que possuíam filhos assumiram, quando perguntadas, que a maternidade é mais difícil do que imaginavam e que, antes de terem filhos, idealizavam o processo de ser mãe. Logo, tal pesquisa deixa evidente a forte presença so imaginário coletivo brasileiro, em que se idealiza a maternidade como simples, incentivando, assim, milhares de mulheres a terem filhos sem noção completa da responsabilidade e das dificuldades que serão enfrentadas.

Portanto, urge a necessidade de mudanças. O Governo, como instância máxima de poder e organizador da ordem social brasileira, deve, por meio de propagandas obrigatórias em grandes canais comunicativos, mostrar a realidade da maternidade, além da ideia baseada em imaginação sobre o fato de ser mãe. Buscando, com isso, reduzir o número de mulheres que tem o restante de sua vida afetada por escolhas baseadas em emoções. Assim o problema da maternidade compulsória será resolvido.