Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 17/05/2022

Os contos de fadas, maior parte escrita durante a Era Medieval como meio de ensinar crianças as regras e padrões sociais, disseminados até hoje em brinquedos, livros e filmes, apresentam sempre uma princesa que se casa e possui muitos filhos. Desse modo, fica evidente que as mulheres sempre foram coagidas a gestarem e a ocuparem um papel maternal. Nesse contexto, o desejo feminino é ignorado acarretando na perda de autonomia para com seu próprio corpo.

Segundo o pensador Karl Marx, o capitalismo, sistema econômico vigente atual, necessita do operariado, o meio de produção e o capital. Consoante a isso, pode-se afirmar que o sexo feminino é tido como uma máquina capaz de gerar filhos, ou seja, análogo à Karl Marx, funcionam como o meio de produção que dará origem ao futuro operariado. Partindo desse pressuposto, é sempre necessário que as mulheres tenham filhos para que o sistema persista, o que explica o caráter compulsório secular intrínseco à maternidade. Pois, a sociedade precisa colocar o maternar como algo imprescíndivel à vida feminina, para que haja mão de obra e consumidores.

Ademais, essa posição ocupada pelo sexo feminino faz com que haja a negligência de um dos direitos básicos do ser humano, o poder de escolhas. Sob esse viés, a Constituição Cidadã de 1988 coloca a liberdade como um direito primordial do cidadão brasileiro, contudo, com a imposição da maternidade à mulher, não se pode enquadrar o desejo de ser mãe como algo passível de interferências. Pois, os contos de fadas, brinquedos infantis, os quais remetem a bebês e a cuidados para com estes, colocam no subconsciente feminino que assumir o papel de mãe é inevitável e necessário.

Portanto, para que a situação seja resolvida, é necessário ação. ONG’s através de parcerias com órgaos da ONU, devem disponibilizar por meio de palestras em locais públicos e também por meio de cursos gratuitos e online, o conhecimento necessário dos mecanismos de coesão social para que as mulheres possam compreender suas verdadeiras vontades, e assim, compreendam o processo de maternar como algo pessoal e individual.