Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 25/05/2022
“Quando a vida acontece”, longa austríaco lançado em 2020, conta a história de um casal com dificuldades para engravidar que ao conhecerem uma família “perfeita” abrem espaço para a reflexão sobre a vontade de serem país. Nesse sentido, a trama releva a necessidade do debate a cerca da obrigatoriedade de gerar filhos,ou seja, a maternidade compulsória no Brasil. Dessa forma, a construção social pautada pelo patriarcalismo e a romantização da maternidade corroboram com o cenário atual.
Diante desse contexto, a maternidade compulsória é resultado do patriarcalismo na sociedade. Nessa perspectiva, o patriarcalismo que rege a população brasileira impõem à mulher a missão de gerar filhos e desde pequenas as meninas são ensinadas e incentivadas a cuidarem de bonecas, em uma clara representação do que deverão fazer após terem seus filhos. Sob tal ótica, a maternidade torna-se obrigatória, já que a grande maioria das mulheres foram doutrinadas a cumprirem essa missão. Desse modo, é evidente que a pressão social do patriarcalismo potencializa a maternidade sem escolha no Brasil.
Além disso, a romantização da maternidade influencia a vida das mulheres.
Segundo a psicóloga Priscila Brasco em entrevista ao site “Brasil de fato”, romantizar a maternidade como tarefa fácil, sem empecilhos e que demanda apenas de afeto maternal auxilia para que a lógica da maternidade compulsória continue sendo realidade. Com isso, as mulheres são ditas como incapazes ao tirarem de seus destinos conceber um filho. Então, romantizar a maternidade e dizer que é feita para todas as mulheres impulsiona a obrigatoriedade em ser mãe.
Portanto, medidas são necessárias para reverter esse quadro. De início, as escolas, em parceria com as famílias, deve incentivar que as alunas tenham contato com diferentes brinquedos, de modo a ofertar inúmeras possibilidades de escolha, a fim de impulsionar o pensamento crítico para que as futuras mulheres não sintam-se obrigadas a serem mães. Ademais, as mídias sociais podem entregar perfis que falem da maternidade real para o maior número de usuários, a fim de parar de romantizar essa função. Assim, a maternidade compulsória deixará de ser realidade no país e a reflexão no longa austríaco fará parte da sociedade.