Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 01/06/2022
O escritor inglês Thomas More, em sua obra “Utopia”, retrata uma sociedade ideal na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, na realidade brasileira, o mundo retratado pelo autor está longe de ser real, uma vez que a maternidade compulsória configura-se como um entrave para a plena liberdade de escolha das mulheres. Assim, é preciso analisar como a falta de debate e a violência simbólica contribuem para o revés em questão.
Em primeira análise, o silenciamento acerca do tema corrobora para o nefasto ideal da meternidade como uma obrigação. Nessa perspectiva, a omissão sobre as dificuldades enfrentadas durante e após a gravidez são responsáveis por romantizar esse processo muitas vezes solitário e exaustivo. A partir disso, vivências difíceis - como a dor ao amamentar e a angústia sentida no puerpério na maioria das mulheres- não são verbalizadas. Com isso, a falta de compreensão do que é esse momento em sua totalidade, faz com que a sociedade veja a meternidade como algo obrigatório por não entender a real carga psicológica e fisica que um filho pode trazer para uma mãe.
Outrossim, a violência simbólica é outro fator que catalisa tal problemática.Nesse viés, o sociólogo Pierre Bordieu define tal conceito como um processo que se perpetuam determinados valores culturais das classes dominantes sobre as classes dominadas. De maneira análoga, esse pensamento é perceptível na maternidade imposta, visto que padrões culturais patriarcais associam gravidez e mulher de forma inerentes. Nessa lógica, o senso comum de que uma mulher sem filhos está mais suscetível a traição do marido, deixa evidente essa relação desigual e violenta que limita a liberdade feminina em querer ser mãe ou não.
Portanto, urge que a mídia - esfera social que cria a visão de mundo dos cidadãos - desconstrua a romantização da gravidez e padrões machistas que tornem a maternidade compulsória. Tal ação, pode ocorrer por meio da criação de um programa em tv aberta com uma roda de conversa entre mulheres, homens e psicólogos, a fim de tornar a maternidade uma opção e não um fardo por meio do diálogo. Dessa meneira, será possível a construção de uma sociedade mais próxima da retratada no livro “Utopia”.