Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 04/07/2022

O longa-metragem “Precisamos falar sobre o Kevin” introduz Eva, que, por pressão de seu parceiro, se torna mãe. No panorama brasileiro, muitas são as mulheres pressionadas a engravidar. Isso se deve a fatores incrustados na sociedade, como o sexismo, e gera inúmeras consequências para os indivíduos nessa situação.

Nesse contexto, é válido ressaltar o machismo estrutural como fator principal da problemática. O artigo 5º da Constituição federal de 1988 prevê a igualdade social como direito de todo cidadão brasileiro. Contudo, tal norma não é respeitada, tendo em vista a disparidade entre sexos existente no corpo social, que é explicitada pelo ato de gerar filhos como dever feminino, ao passo que a cobrança para homens é mínima ou inexistente. Destarte, enquanto a desigualdade sexual se mantiver corrente, difícil será a resolução do problema.

À vista disso, não há como negar os efeitos sobre os indivíduos afetados pela maternidade compulsória. De acordo com pesquisas realizadas pela Fundação Oswaldo Cruz, a depressão pós-parto atinge cerca de 25% das mães no Brasil. Esse dado revela a vulnerabilidade a qual genitoras estão submetidas, e, devido à falta de desejo de se tornar uma, mulheres compelidas a terem filhos são mais propensas a desenvolverem transtornos psicológicos, que podem refletir em seu descendente. Desse modo, é ilógico pensar que, em uma nação dita desenvolvida, tal tópico se mantenha como realidade.

Dado o exposto, é notória a repercussão da maternidade compulsória na vida das mulheres brasileiras. Logo, urge a necessidade de o Ministério da Educação, órgão responsável pelo ensino brasileiro, em parceria com a mídia, promover a desmitificação da obrigatoriedade feminina de se tornar mãe. Isso deve ocorrer por meio de campanhas realizadas em escolas e propagandas divulgadas nos meios midiáticos acerca das responsabilidades maternas e os danos àquelas que são induzidas a assumir esse papel, visando a autonomia feminina sobre o próprio corpo. Assim, casos como o de Eva deixarão de existir.