Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 18/08/2022
De acordo com a filósofa Hannah Arendt, a sociedade hodierna está lidando com a teoria da “banalização do mal”. Essa teoria defende a naturalização de conceitos maléficos para alguns cidadãos. Nessa perspectiva, é de suma importância tratarmos a romantização da maternidade junto à culpabilização da mulher, a fim de que esses preceitos possam ser liquidados de maneira eficaz.
Diante desse contexto, despreende -se que a romantização da maternidade ainda persiste na atual conjuntura. Isso porque, as mulheres carregam o peso do “instinto materno”, a sociedade compreende a mulher como o que vem da mãe, e coloca como obrigação que ela se identifique assim, muitas se identificam, mas outras não. Prova disso recai nos dados de um estudo realizado pela Bayer, cerca de 37% das mulheres brasileiras não querem ter filhos.
Ademais, cabe ressaltar que as mulheres são estritamente julgadas pelo modo que educam seus filhos, se esse modo for diferente do “senso comum” ditado pela sociedade. Segundo pesquisa da IPSOS, 46% das mulheres brasileiras se sentem julgadas como mães. Logo, torna-se evidente mais um ponto em que a mulher se sente culpada e priva seus filhos de experiências por medo de julgamentos futuros, ou de de se sentir “menos mãe”.
Por conseguinte, é indiscutível ações interventivas, para tanto, urge a necessidade que o Governo Federal faça campanhas de conscientização. Em primeiro lugar, com o auxílio do Ministério da Educação, serão realizadas palestras mensais nas escolas, nas turmas do ensino médio, em que sociólogas comentarão sobre a realidade da mulher, para assim desde cedo os jovens tenham noção de como as mulheres sofrem uma pressão social diariamente. Além disso, serão necessárias propagandas em canais de TV aberta, a partir da fala de mães contando julgamentos já sofridos e a forma a qual abalaram elas, objetivando a percepção nacional de que não existe apenas um jeito de ser mãe. Desse modo, a mulher estará livre de tanta romantização e culpabilização.