Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 24/08/2022
No livro “Todas as suas imperfeições” a protagonista Quinn se encontra em um conflito interno após suas inúmeras tentativas de engravidar falharem. Em decorrência da pressão que sofre para ter um filho, ela passa a ter crises de baixa autoestima e depressão. Fora da ficção, no Brasil, as mulheres são submetidas à essa pressão, que as impede de possuir controle sobre seus corpos. Diante disso, a fim de diminuir o impasse mencionado, é necessário discorrer acerca da influência do patriarcado e a ausência de políticas públicas que protagonizam o revés.
Sob primeira análise, é importante pontuar a influência que o patriarcado exerce sobre as mulheres. Dessa forma, é oportuno rememorar o cenário do Período medieval, local onde os homens exerciam funções importantes na sociedade, enquanto as mulheres eram impostas a velar o lar e cuidar de seus filhos. Ainda atualmente, o corpo social enxerga o sexo feminino como frágil e dependente, submetendo-as ao trabalho doméstico e ensinando que são feitas para servir apenas à maternidade. Assim, esse grupo perde a autonomia de tomar suas próprias decisões, que são sempre julgadas e avaliadas por terceiros.
Ademais, é imprecíndivel expor que não só o patriarcado impacta negativamente no problema referido, mas também a ineficácia de políticas públicas. Dessa maneira, vale relembrar o conceito de violência simbólica, do Filósofo Pierre Bourdieu, o qual aborda uma forma de violência exercida através de atos não físicos que podem causar danos morais e psicológicos. Diante do exposto, as ideias Bourdianas revelam que na sociedade brasileira as mulheres sofrem essa violência ao não possuirem acesso à políticas públicas eficazes, contribuindo para o surgimento de danos cognitivos que afetam suas relações e vida pessoal.
Portanto, urge a necessidade de mitigar os problemas ocasionados pela maternidade compulsória. Para tanto, cabe ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos criar medidas protetivas à integridade plena da mulher, por meio de leis e debates que demonstrem a importância da autonomia dos prórpios corpos, a fim de diminuir os impactos da adversidade. Desse modo, os embaraços de Quinn ficarão apenas nas páginas.