Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 07/09/2022

No início de 2022, ocorreu o caso da menina de apenas 11 anos que foi estuprada por um homem, além do abuso sofrido a criança engravidou e foi instruída a dar continuidade a gestação, pois um “bebê não tem culpa de nada”. Essa notícia revoltou muitos brasileiros, que defenderam a menina com o movimento “Criança não é mãe” nas mídias sociais e nas ruas. A partir disso, pode ser percebido que desde sempre uma mulher é induzida a ter filhos e a “construir uma família”.

Nesse cenário é possível analisar o quão problemático se torna a influência de outras pessoas nas decisões da mulher. A gestação é muito desejada por diversas mulheres e ao mesmo tempo indesejado por muitas outras. Não é o sonho de todas terem filhos, até porque “dar à luz” a uma criança é uma responsabilidade para a vida toda e por isso deve ser refletido e pensado com muita cautela. Fora os riscos durante a gravidez, uma mulher pode sofrer graves consequências na hora do parto, e após ele também. Existem questões financeiras e preparos mentais nem todo mundo está pronto para educar uma criança. Muito dito “se não quiser criar dê para a adoção”, assim como a atriz Klara Castanho foi julgada por dar a criança para a adoção, outras mulheres também foram e são.

No entanto, existe uma grande quantidade de crianças e adolescentes que estão a vida inteira em orfanatos passando por situações complicadas. E muitos adultos dão preferência em adotar bebês, isso significa que aos 18 anos os que ficam, são obrigados a sair do orfanato e criar a própria vida, mesmo que sem preparo nenhum. Então não é tão simples “só parir uma criança” e esse assunto não é uma discussão quando a mulher já estiver certa de sua decisão. Além das outras questões onde a ela precisará cuidar sozinha, ter tempo, responsabilidade e dinheiro.

Assim como, para a menina de 11 anos é preciso empatia e respeito seja qual for a decisão tomada, e por isso o fim da romantização de ter um filho precisa existir. Criar uma criança é uma responsabilidade e tanto. A própria sociedade precisa parar de se intrometer na decisão alheia, e dar um real apoio, mostrando não só os pontos positivos ou religiosos da situação.