Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 05/11/2022

A maternidade compulsória é um fenômeno social que coage as mulheres para que elas tenham filhos. Ela toma vida nos ideais da população de forma inconsciente, e baseia-se na ideia de que uma mulher não é capaz de viver uma vida completa e plena sem que tenha filhos. Esse fenômeno é danoso para a integridade das mulheres e de seus descendentes, uma vez que leva a um alto número de mães arrependidas de terem engravidado, que resulta em relacionamentos familiares desestruturados.

Assim sendo, de forma correlata ao tema, o mangá de Shuzo Oshimi, Blood on the Tracks, retrata o relacionamento desequilibrado entre uma mãe que foi vítima da maternidade compulsória e seu filho. Essa obra exemplifica as consequências desse fenômeno, uma vez que representa os problemas que derivam desses relacionamentos, sendo o principal deles, como mencionado anteriormente, a desenvoltura de problemas psicológicos ou até mesmo a ocorrência de violência em alguns casos.

Além disso, outra obra que exemplifica essa temática é o livro Precisamos falar sobre o Kevin. A obra retrata o relacionamento entre a protagonista, Eva, e seu filho. A narrativa progride a partir da perspectiva da mãe, que nunca quis ter filhos, engravidando por vontade do marido. Devido a essas circunstâncias, Eva não é capaz de criar um bom relacionamento com o filho. Assim como em Blood on the Tracks, esse livro representa as decorrências desse fenômeno nos relacionamentos entre mãe e filho.

Dessa forma, conclui-se que a maternidade compulsória é um fenômeno que traz repercussões negativas em todos os âmbitos da vida das mulheres e seus filhos, tendo influência maior na sua estrutura psíquica. A forma de reduzir a sua influência na sociedade é a quebra dos ideais que a sustentam, tais como a ideia de que as mulheres possuem um “instinto materno”. Essa ação deve ser feita por toda a sociedade com o objetivo de fazer com que, por meio do repúdio a essas ideias, tal fenômeno deixe de existir.