Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 03/11/2022
No filme “Precisamos falar sobre Kevin”, estrelada por Erza Miller, é retratada a problemática relação de uma mulher, que rejeitava a maternidade, com o filho que teve sujeita ao desejo do marido. Nesse sentido, fora da ficção, a maternidade compulsória é uma complexa construção social com raízes mais antigas do que as da sociedade organizada, isto é, advindas do período em que o papel feminino resumia-se a criação da prole e perpetuação da espécie. Dessa forma, faz-se imperioso analisar tanto a origem quanto a consequência da problemática em questão.
Nesse contexto, é certo afirmar que a continuidade do problema tratado deve-se a permanência de um machismo estrutural. Sob essa perspectiva, o sociólogo Karl Marx afirmava: “As tradições de todas as gerações mortas oprimem como um pesadelo o cérebro dos vivos”. Consoante a essa máxima, a histórica hegemonia masculina, cuja contestação é um evento inegavelmente recente, uma vez que ainda no século atual há lugares onde mulheres não possuem direitos civis, é determinante na coerção exercida para a maternidade, que vai desde as brincadeiras infantis destinadas às meninas até conceitos pseudocientíficos, como o de “relógio biológico”, suposta necessidade feminina de engravidar ao atingir certa idade.
Ademais, diante dessa temática, é pertinente indicar que a maternidade compulsória muitas vezes resulta numa criação falha. Acerca disso, o filósofo Immanuel Kant declarou que “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”. Nesse viez, filhos gerados de uma obrigação imposta pela sociedade, ao terem sua educação negligenciada tornam-se pessoas despreparadas para a vida em sociedade, com potencial de reproduzir comportamentos nocivos. Tal problemática é abordada na ficção, a exemplo de Kevin, persoangem da obra cinematográfica supracitada, que, tendo convivido com a apatia por parte da mãe em toda a sua vida, da fim a mesma após matar vários alunos de sua escola.