Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 05/11/2022

Na produção televisiva “Catarina, a grande”, é documentada a vida da rainha russa Catarina II. Ao longo da trama, a monarca sofre muita pressão sobre a necessidade de grávidez que era tratada na Idade Média como uma obrigação feminina. Desse modo, as mulheres desde cedo tiveram sua função reduzida ao papel de mãe, aprisionando-as nesta posição até os dias atuais. De tal forma, pode-se discutir a maternidade compulsória em debate no Brasil que ocasiona não só sobrecarrega as mulheres, como também intensifica o machismo estrutural.

Primordialmente, é importante expor o ônus social sobre as mulheres pela questão da maternidade. Uma vez que, ao ser assumido a posição de ser mãe a vida mulheril se distancia de uma independência e liberdade que, para a pensadora feminista Simone de Beauvoir, só pode ser reconquistada pelo trabalho. Dessa forma, cria-se um ciclo vicioso em que para a mulher não se submeter a um cargo meramente reprodutivo imposto pela sociedade, é preciso se encaixar em outro padrão social, o capitalista em que o trabalho dignifica. Logo, a mulher nunca está definitivamente livre.

Ademais, vale salientar o machismo que é agravado pela imposição maternal. Sob este viés, quando a gravidez da criança é tratada como responsabilidade singular da mãe, os homens são livrados da questão paterna, e então, situações como abandono por parte dos pais são normalizadas no cotidiano. Mediante a isso, segundo dados da Central Nacional de Informações do Registro Civil (CRC) em 2020, 2 em cada 6 crianças foram registradas apenas com o nome das mães nas certidões de nascimento.

Portanto, é necessário que o governo juntamente com o Ministério da mulher e da família, promova palestras de profissionais, como feministas e sociólogos, que busquem informar a população da imposição da maternidade compulsória nas mulheres. Essa ação deve ocorrer por meio dos canais midiáticos como Facebook e Instagram para que a questão feminina tenha voz em meios tão importantes de veiculação de informações. Somente assim, será possível dignificar as cidadãs brasileiras e distanciar-se dos panoramas retrógrados da idade média.