Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 05/11/2022

Na obra cinematográfica “O jogo da imitação” é retrada uma cena em que uma mulher é impedida, pelos pais, de trabalhar. Isso ocorre pois, na persepção deles, a filha deveria ficar em casa até o momento de casar e ser mãe. Nesse sentido, sabe-se que essa linha de pensamento persiste hodiernamente, tornando a maternidade no Brasil, para muitas mulheres, uma ação compulsória. Nesse contexto, torna-se imprescindível o debate a respeito dessa temática, analisando possíveis consequências para a mesma.

Vale pontuar, inicialmente, que a pressão da sociedade é um dos motivos que levam algumas mulheres a serem mães com o sentido de obrigatoriedade. Segundo o biólogo Frans de Wall, “os humanos são ricos em tendências sociais”, ou seja, são facilmente conduzidos pelo senso comum. Diante disso, é notório que a persistência do pensamento arcaico, relacionado à motivação de ser mãe, ainda tem influência sobre o comportamento das cidadãs. A exemplo disso, temos o visível aumento de crianças abandonadas em orfanatos ou nas ruas, sendo isso uma consequência do arrependimento das mulheres que, no puerpério, percebem que foram mães por compulsoriedade. Sendo assim, nota-se a urgente necessidade de mudança do cenário relacionado à maternidade.

Ademais, outra consequência que emana dessa problemática é a perda de direitos que deveriam ser garantidos. De acordo com a Constituição Federal, promulgada em 1988, todo cidadão brasileiro tem direito à dignidade, direito esse que, na condição de maternidade obrigatória, é revogado. Nesse sentido, deve-se considerar que uma mulher obrigada, em nível de consciência, a passar pela maternidade, quando esse não é seu desejo, tem sua saúde mental prejudicada e sua dignidade roubada de si.

Se faz necessário, portanto, que o Ministério da Saúde - órgão responsável pela manutenção da saúde no país - realize campanhas de conscientização por meio de propagandas realizadas em rede televisiva, panfletagem, cartazes e palestras em escolas, a fim de que a população seja educada a mudar o pensamento de que mulheres são obrigadas a serem mães. Dessa forma, as consequências relaciondas à maternidade compulsória serão superadas.