Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 08/05/2023
Na Grécia antiga o papel das mulheres era em especial ter filhos saudáveis e de preferência do sexo masculino. No século XX, por outro lado, as jovens começaram a ter um controle sobre o próprio corpo com o acesso aos métodos contraceptíveis. Atualmente, as cidadãs brasileiras lutam para poder escolher o que querem ser ou não ser e a maternidade compulsória, por sua vez, é um dos motivos da luta, já que ainda se vive o mito da maternidade para todas.
Em primeira instância, lembra-se que até o início do século XX as mulheres no Brasil não votavam e a representatividade era quase nula politicamente. Hoje, entretanto, elas já fazem parte da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal (STF), porém é inaceitável que o aborto ainda seja de controle do Estado, quer dizer que, por consequência, o corpo da mulher é território do Poder Público. Logo, infere-se que, apesar dos grandes avanções, as civis ainda precisam ironicamente da permissão do Legislativo brasileiro parar viver a própria vida de forma plena, em pleno século XXI.
Por conseguinte, nota-se que culturalmente a sociedade brasileira é baseada no patriarcalismo cristão e isso influencia negativamente jovens a pensarem que a maternidade é o destino de todas. Isto é, o país foi colônia de uma grande potência econômica, mas antes de tudo, cristã e, por isso, toda a educação foi pautada em princípios derivados da igreja católica. Assim, é cruelmente difícil para qualquer brasielira viver em um Brasil que está comandado por uma sociedade e um Estado que escolhe por elas e decide antes delas.
Portanto, faz-se necessário que o Ministério da Educação reformule as bases de ensino por meio de uma pesquisa nas escolas sobre como a maternidade é tratada no ambiente escolar, a fim de tornar essa experiência uma opção e não obrigação social. Somado a isso, o Ministério da Saúde deve trabalhar por meio de uma petição ao STF que peça a legalização do aborto e isso tornará os direitos femininos uma realidade de fato, já que a liberdade é garantida a todos na Constituição de 1988. Assim, será possível educar as meninas para escolherem serem ou não mães, mas serem felizes e plenas e poderem desepenhar as funções que escolherem na sociedade vigente.