Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 29/10/2023

O memorável documentário “Gravidez na adolescência”, produzido no início dos anos 2000 e que está disponível na plataforma de videos “Youtube”, aborda e exemplifica a questão da maternidade compulsória no Brasil. Similar a obra cinematográfica, a problemática ainda persiste na sociedade brasileira e se enraíza principalmente na construção social acerca da feminilidade, bem como, no tabu referente a educação sexual nos dias atuais.

Em primeira análise, é indispensável debater sobre como a sociedade impõe para as mulheres, desde a infância, que o instinto materno nasce com as mesmas, assim como normaliza a idéia de que só serão completas e femininas, se tiverem filhos e constituírem uma família. Dessa forma, é colocada uma pressão invísivel, mas muito forte nas mulheres, uma vez que já cuidam das suas bonecas ou têm participação fundamental na criação de irmãos desde a pequenez, causando danos irreparáveis, por limitar seus sonhos e ambições majoritariamente à maternidade.

Análogo a isso, para Nadeja Mandelstam, “O silêncio é o verdadeiro crime contra a humanidade”. Dessa forma, elucidando a escritora e educadora russa, tal constatação é nítida quando observa-se a negligência, principalmente, governamental e da família no diálogo sobre a contracepção. Em consequência disso, devido à falta da prevenção sexual, meninas adolescentes e jovens engravidam precocemente, sem possuir dimensão do impacto que isso terá nas sua vidas, tanto na questão da liberdade, que será completamente reduzida, quanto no maternar, esse que é um trabalho não remunerado e se estenderá pelo resto de suas vidas.

Portanto, é necessário agir sobre os fatos supracitados. Para isso, o Ministério da Saúde deve criar “A semana do combate à maternidade compulsória: Uma discussão coletiva”, por meio de palestras com educadores sexuais, médicos, enfermeiros e psicólogos, a fim de reverter a problemática. Tal ação, pode ainda, ser divulgada e abordada nas redes sociais governamentais, com o intuito de alcançar uma maior quantidade de pessoas. Paralelamente, é preciso intensificar a distruibuição em massa de métodos contraceptivos nos postos de saúde. Desse jeito, o documentário supracitado deixará de ser uma temática hodierna no Brasil.