Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 30/03/2024
Termo bastante comum em debates sobre temáticas maternas nas mídias sociais, a expressão maternidade compulsória ressoa o modo como Judith Butlar define maternidade: instituição social compulsória. Dessa forma, a filósofa a classifica dessa maneira devido as tentativas, até então muito bem-sucedidas , de naturalizar e universalizar essa instituição enquanto próprio gênero feminino.
Dessa maneira, a maternidade compulsória persiste num conjunto de práticas socioculturais e políticas que levam mulheres e meninas a se tornarem ou desejarem ser mães , sem que isso represente de fato uma escolha. Nessa ótica, a forma como a sociedade é organizada, enquanto famílias nucleares, é baseado nesse modelo que as mulheres se tornam mães(ou pelo menos maternam) em algum momento da vida.
Além disso, a socialização feminina é fortemente marcada pelo maternalismo. Nesse viés, o próprio debater a maternidade é, de muitas formas imposto as mulheres. Nessa perspectiva, desde pequenas. Meninas recebem carrinhos de bebê e bonecas para “brincarem de ser mamãe”. Brincadeiras estas que têm profunda relação com o espaço doméstico. Assim, mulheres crescem aprendendo a vincular o cuidado das crianças e o papel de mãe.
Destarte, cabe ao Ministério da Educação(MEC), como órgão regulador da educação no Brasil, combater com uso de recursos públicos a ideia de que a identidade feminina se baseia na maternidade, bem como a “mulher ideal” é mães, algo que percebe mesmo em culturas originárias capacitando professores para tanto.