Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 07/04/2024

O filme Juno retrata o dia a dia de Juno, adolescente que descobre a gravidez durante o ensino médio, e escolhe dar o bebê a uma família que possui condições financeiras de criá-lo. Porém durante sua gestação, ela é julgada e questionada sobre sua decisão. Tal cenário foge das telas e encontra a realidade de diversas mulheres brasileiras que vivem a maternidade solitária e compulsória, devido à pressão social e à romantização do maternar, que atribuí responsabilidades exclusivamente à mãe, reduzindo ou omitindo ao pai.

Em primeira análise, a maternidade compulsória é instrumento de dominação tradicional direcionado para as mulheres. Ademais, essa de acordo o Max Weber é um mecanismo de induzir outras pessoas a realizarem aquilo que as crenças e tradições estipulam como correto, ou seja, os fundamentos nos quais a sociedade está alicerçada. Por conseguinte, as basese do Brasil são o machismo e a estrutura familiar patriarcal, ambos negam para as mulheres a possibilidade de independência e crescimento profissional, imputando-llhes a maternidade como meio de completude pessoal, logo as que se negam a constituir família são qualificadas como infelizes e incompletas.

Além disso, é possível a coexistância de sanções sociais e morais as que não corresponderem ao papel social imposto pelos demais. Por conseguinte, o jurista Norberto Bobbio, explica que as sanções sociais são dadas pelo grupo social a que o indivíduo pertença e sua proporcionalidade depende de elementos como gravidade, reprovabilidade, mas também existe a sanção moral, isto é, a que o indivídio dá a si, de forma subjetiva. Portanto, na cotiano as mulheres são atingidas por ambas, exemplo comparativo é a duranção da licença maternidade e paternidade, sendo a primeira exorbitantemente maior que a segunda.

Portanto, a sociedade brasileira comporta a maternidade compulsória. Cabe ao Ministério da Cultura provocar a discussão sobre imposição da maternidade , por podcast críticos, a fim de remodelar o conceito de maternar. Ademais, as convidadas dos debates devem trocar experiências com o público de modo que haja representatitividade em suas falas. Portanto, a maternidade real será debatida, assim escolhas como de Juno não seram julgadas e sim acolhidas.