Medidas para o enfrentamento de propagandas enganosas no Brasil

Enviada em 23/08/2024

A dúvida metódica criada pelo filósofo René Descartes baseia-se no ato de duvidar em prol de uma conclusão mais precisa sobre o que é verdadeiro ou não na vida real. Paralelamente, na contemporaneidade, com indivíduos viciados no consumismo, a adoção de tal prática torna-se vital para a identificação de produtos fiéis ao que se propõem. Dito isso, no Brasil, as principais medidas no combate das propagandas enganosas são o enfrentamento à ausência do senso crítico social e à banalização das práticas enganosas no ramo alimentício.

Em primeira análise, o exarcebado consumismo difundido na sociedade atrapalha gravemente o discernimento coletivo em relação aos falsos anúncios das mercadorias. Nesse contexto, segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, na modernidade líquida, o indivíduo deixou de “ser” para “ter”, tendo como prioridade a compra de bens materiais em detrimento do viver a realidade. Dessa forma, em um mundo cercado de publicidade, as pessoas viram reféns dos ilusórios comerciais devido a falta de um raciocínio lógico sobre a credibilidade das informações, em virtude da dominação pessoal pela satisfação do ato de comprar.

Em segunda análise, a trivialização de falsas propagandas alimentícias pelo corpo social no cotidiano favorece a constância de atos falaciosos no campo publicitário. Nessa perspectiva, de acordo com a socióloga Hannah Arendt, quando atos agressivos ocorrem constantemente, aqueles que os observam param de identificá-los como errados. Assim, nessa mesma lógica, a divulgação de lanches e bebidas diferentes da entrega, por exemplo, são cada vez mais comuns entre a população, graças à aceitação coletiva de que a maioria dos restaurantes não oferece exatamente o que publica nas imagens.

Portanto, para que o enfrentamento das propagandas enganosas no Brasil seja solucionado, cabe ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) possibilitar a conscientização social acerca da importância do tema, por meio de eventos com palestras didáticas, as quais explicitem a necessidade do fator crítico na hora das compras. Assim, o objetivo será obter a extinção da banalização de comidas enganosas e poder promover o ato de duvidar da realidade, tal como Descartes mencionava como fonte para a verdade mundana.