Medidas para o enfrentamento de propagandas enganosas no Brasil

Enviada em 22/08/2024

A livro “As mentiras de Locke Lamora”, de Scott Lynch, descreve uma sociedade marcada pela cultura da “trapaça”, em que os personagens constantemente tentam enganar uns aos outros em prol do benefício pessoal. De maneira análoga, no Brasil atual é comum a prática de propagandas enganosas por parte de empresas, seja de grande ou pequeno porte. Tal problema persiste pela inércia estatal e por uma mentalidade acética por parte do consumidor.

Nesse contexto, é notório que o Estado não atua de forma eficaz para combater as propagandas enganosas. Acerca disso, Michel Focault afirma que é papel gover-namental a garantia do bem-estar de todos os cidadãos, incluindo em seu papel como consumidor. Sob esse viés, é fato que o combate à frustração relacionada ao gasto em um produto cuja expectativa não corresponde à realidade deveria ser uma prioridade da esfera administrativa. Entretanto, as redes de fast-food, lojas de eletrodomésticos e até mesmo concessionárias distorcem ou escondem informa-ções sobre aspectos essenciais dos produtos, como tamanho, defeitos e idiossin-crasias que possam causar mal-estar. Isso, segundo a revista Superinteressante, se agrava exponencialmente em compras realizadas pela internet.

Ademais, o consumidor brasileiro está mais propenso a ser persuadido por pro-pagandas enganosas pela falta de critérios em relação a suas compras. Nesse sen-tido, Carl Sagan afirma que o ceticismo é uma ferramenta que deve ser usada tan-to na ciência quanto no comércio. Porém, a idealização da mercadoria, que segundo a BBC Brasil provoca picos na concentração dos neurotransmissores serotonina e dopamina, relacionados à sensação de prazer e de felicidade, superam a habilidade de avaliação do indivíduo como consumidor. Dessa forma, a felicidade momentâ-nea da compra, ofusca o questionamento acerca da vericidade das propagandas.

Portanto, urge a necessidade de intervenção estatal. Logo, cabe ao Ministério da Educação a realização de campanhas que promovam o ceticismo do consumi-dor em relação às propagandas enganosas. Tais campanhas devem se concretizar na forma de palestras, por profissionais de destaque do marketing e psicologia, com foco na orientação do consumidor e desconstrução da idealização do produto. Dessa forma, os consumidores se tornarão mais criteriosos e informados