Mendicância: dever do estado ou questão de solidariedade?
Enviada em 23/01/2023
No poema “A pátria”, escrito por Olavo Bilac,no início do século XX, são ressaltadas características de um Brasil naturalmente rico e acolhedor, que segundo o autor,definiam o país. Apesar do lapso temporal,ainda hoje,preserva-se uma visão romantizada do Brasil, o que faz com que graves problemas sociais sejam ignorados (bem como no período em que o poema foi escrito), de modo que milhões de pessoas sejam invisibilizadas pela miséria. Assim, convém analisar o maior motivador da endêmica condição de mendicância no Brasil e o seu grave impacto social.
Nesse sentido,fica evidente que o suplício de esmolas, associado claramente à pobreza, perpetua à medida que raízes desiguais são mantidas no país. Sob essa ótica,o sociólogo,Boaventura de S. Santos,descreve sobre o “colonialismo insidioso”,ou seja,uma forma de dominação perversa que se disfarça em meio a avanços que não refletem em melhorias sociais. Dessa forma,é bem verdade que o Brasil está entre as 20 maiores economias mundiais,segundo o FMI,mas estar nesse ranking não impede que 33 milhões de pessoas estejam,agora em 2023, passando fome,de acordo com o Ipea.Logo, para essa população só resta uma alternativa: pedir esmolas,já que o Estado pouco investe em educação e geração de emprego para combater às desigualdades sociais.
Além disso,nota-se como a mendicância impede uma vida de dignidade.Sob esse viés,o sociólogo, José M. de Carvalho, defende que a cidadania só é efetiva quando se contempla os direitos políticos,civis e sociais.Desse modo,não há espaço para contestações:sobreviver de esmolas não garante necessidades básicas à vida como alimentação,moradia,saúde e lazer,direitos inalienáveis garantidos pela constituição mas que não são efetivos na prática.Consequentemente, milhões de pessoas vivem desumanizadas no país.
Portanto, é nítido que a mendicância é um problema social e precisa ser combatido.Para isso,é necessário que o Ministério da Cidadania, por meio de verbas públicas destine recursos à pessoas em vulnerabilidade social( como os mendigos) e mobilize a geração de emprego e, por conseguinte, renda. Enfim, ter-se-á um país rico e acolhedor que garante cidadania a todo povo brasileiro.