Mendicância: dever do estado ou questão de solidariedade?
Enviada em 06/02/2023
Gilberto Dimenstein, em sua obra “O cidadão de papel”, tece uma crítica ao sistema vigente, o autor traz a definição de cidadão de papel para o indivíduo invisível aos olhos do Estado. Paralelamente, a medicância ainda é um grave problema no Brasil, visto que a ausência de suporte à pessoas em situação de pobreza impossibilita o acesso à benefícios normativos previstos na Constituição. Sendo assim, a negligência estatal e o individualismo protagonizam a manifestação do revés.
Nesse cenário, deve-se analisar a omissão govenametal. Por conseguinte, conforme afirma o filósofo Platão, o Estado mais justo seria o governo dos sábios. Nessa conjuntura, é notório que a democracia gera políticos que não visam o bem-estar social, ocasionando em entraves como a falta de empregos e apoio institucional, mesmo estando previsto constitucionalmente e sendo uma obrigação dos órgãos públicos. Dessa forma, se houvesse governantes que visassem o benefício da população como um todo, esse infortúnio não iria ocorrer.
Outrossim, cabe destacar o exclusivismo como impulsionador do empecilho. Nesse viés, na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que
a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. Nessa ótica, observa-se que na comunidade hodierna a ausência de percepção da realidade atinge as pessoas cotidianas, sendo passadas despercebidamente indivíduos em situação de carência, o que, infelizmente, fortifica um cenário utópico em que a desigualdade é inexistente no país. Logo, esse campo não pode perdurar por prejudicar um grupo de cidadãos.
Portato, medidas são necessárias para resolver os obstáculos. Dessarte, cabe ao Ministério da Cidadania, órgão com papel de assistente social, por meio de verbas federais, deve elaborar pontos de apoio em locais de fácil acesso em cidades em que há sinais de medicância, a fim de acolher indivíduos em condição de miséria e evitar episódios de fome, falta de escolaridade, saúde etc. Desse modo, para que “O cidadão de papel” deixe de ser invisível aos olhos do Estado e passe a desfrutar de direitos normativos.